
Enquanto a maioria se preocupa em montar o cronograma para os testes coletivos, três equipes ainda não definiram a dupla de pilotos para 2013. O motivo da demora, claro, é a eterna busca pela combinação do melhor piloto com o maior apoio financeiro possíveis. E essa definição ganha ainda mais importância quando se está perto de uma grande revolução técnica que, ao mesmo tempo em que representa uma grande chance para as equipes médias e pequenas darem um salto de produção e valoriza os pilotos mais experientes, gera a necessidade de investimento extra.
Não por acaso, as três equipes em situação financeira mais complicada seguem indefinidas. Caterham e, especialmente, Marussia, são as duas que menos recebem dinheiro do bolo que os times dividem da venda dos direitos comerciais da categoria. E a Force India basicamente serve como outdoor ambulante das empresas de seu dono, Vijay Mallya – e os negócios, principalmente da Kingfisher Airlines, que teve sua licença cassada, vão de mal a pior.
Mas isso não quer dizer que o piloto com a maior mala de dinheiro levará a vaga. Como uma posição a mais no mundial de construtores pode render de 3,4 a 17,6 milhões de dólares (a complicada conta da divisão foi explicada neste post) é importante que o recruta não seja um zero à esquerda. Ainda mais em um ano em que os gastos serão maiores no desenvolvimento de um novo projeto para 2014 – sem contar nos novos motores, que devem custar consideravelmente mais do que os cerca de 12 milhões de dólares atuais.
Isso faz com que a decisão sobre a dupla de pilotos dos times médios e pequenos seja ainda mais delicada, como explica Cyril Abiteboul, chefe da Caterham, que só fechou com o pagante e jovem Charles Pic até o momento:
“Uma opção é alguém com quem Pic possa aprender e usar como base para o que queremos de ambos os pilotos. Outra opção, mais radical, é aceitar o fato de que 2013 é um ano de transição em que continuaremos a construir a equipe antes de um período de maior estabilidade em 2014, quando muitas coisas no pacote mudarão.”
Com a dispensa de Glock, parece que a Marussia optou por esse radicalismo. Se desistiu da continuidade de um piloto experiente – e assalariado – provavelmente será para lucrar com ambas as vagas. Há, no mercado, pilotos endinheirados e com certa experiência, de Bruno Senna a Adrian Sutil, passando por Vitaly Petrov, que podem cair como uma luva nesse tipo de situação. Mas e o medo de não obter os resultados que o carro permite e, com isso, perder dinheiro vindo dos construtores?
A opção mais segura seria ter um piloto com bastante experiência e outro com certo talento e bolso cheio, como já discutimos aqui. Por outro lado, o exemplo recente da Williams, que engrenou basicamente com o bom direcionamento do dinheiro vindo de pagantes, é tentador. E a saída, não apenas de Glock, como de Kovalainen e Kobayashi, outros exemplos de pilotos assalariados, comprova isso.
É muito difícil que alguém repita o exemplo da Red Bull na última grande mudança de regras, em 2009, e passe de média a dominadora, até por não haver no pelotão estrutura e investimento semelhantes. Mas é preciso pensar bem no passo final antes da chance de ouro de tirar o pé da lama que as médias terão em 2014.