
Ele não ganhava nenhuma posição em primeiras voltas desde o GP de Abu Dhabi de 2016. E não se intimidou com a espremida de Hamilton. Não vencia uma corrida desde o GP da Austrália. E partiu para a bandeirada como se nunca tivesse esquecido o caminho. Para completar, ouviu até uma ordem de equipe a seu favor – desde sabe-se lá quando! O homem de gelo pode até ter tentado despistar, mas estava tão focado no próprio triunfo que só se tocou que Lewis Hamilton não tinha conquistado o título quando os pilotos esperavam na antessala do pódio.
A surpresa estampada na cara do finlandês mostra o tamanho de sua preocupação em trabalhar para o título do companheiro. Desde que se viu de fora da Ferrari, em setembro, voltar a vencer se tornou uma questão de honra daquele que viu algumas oportunidades claras em Mônaco e na Hungria ano passado escaparem “pelos interesses da equipe.”
O mais irônico é que foi justamente a performance de Raikkonen que manteve o campeonato vivo. Sua largada agressiva e bom ritmo com os ultramacios no início da prova fizeram a Mercedes arriscar. O Safety Car virtual causado pelo abandono de Daniel Ricciardo veio justamente no limite do que se chama “janela de SC”, ou seja, se a corrida estiver neutralizada, há a possibilidade estratégica de parar.
Levando isso em conta, Hamilton ouviu a instrução de fazer o oposto do rival. Se ele parasse, o inglês ficaria na pista. E estava torcendo por isso, por achar muito cedo para trocar os pneus. Mas Raikkonen ficou na pista, Lewis não bancou a decisão mesmo achando que entrar não era melhor opção, e a corrida mudou de figura.
Agora Hamilton teria que ganhar, na pista, os 23s de uma parada a mais. Começou bem, até seus pneus macios começarem a formar bolhas, algo normal quando se força muito no começo de um stint. No final, foi quase o suficiente para o segundo lugar, não fosse a muralha Max Verstappen, que protagonizou sua segunda corrida de recuperação em Austin, desta vez pulando de 18º a segundo, tendo ganho nove posições apenas na primeira volta.
Falando em recuperação, Sebastian Vettel deve ter se especializado em escalar o pelotão depois de uma temporada em que vem teimando em complicar sua vida. Primeiro pela punição boba em um treino livre que não valia nada, depois pela rodada da primeira volta, perdendo uma boa oportunidade em um fim de semana em que a Ferrari deixou para trás as novidades que vinha tentando implementar desde Singapura e trouxe um novo mapeamento de motor.
Uma das melhores corridas da temporada ainda teve outros pontos interessantes. Fernando Alonso saiu falando que “o grid da F-1 tem mais amadores que o WEC”, depois de ser atingido por Lance Stroll, e Kevin Magnussen reclamou da “Fórmula Economia de Combustível”, após ser punido por ter ultrapassado em 0,1kg a quantidade total de combustível. Foi desclassificado por isso, assim como Esteban Ocon, cuja Force India estava com o fluxo de combustível superior ao permitido na primeira volta da corrida.
É interessante que estas falhas tenham ocorrido tão no final da temporada e em um circuito em que o consumo de combustível é apenas moderado. Mas o fato é que a briga da Haas para ser quarta colocada ficou bem mais complicada, especialmente com a boa performance da Renault. Para a Force India, o prejuízo é menor, já que, mesmo assim, o time conseguiu descontar mais quatro pontos da rival McLaren na disputa pelo sexto posto.
Agora, no México, o campeonato só não acaba se acontecer o improvável com um Lewis Hamilton que, mesmo parando uma vez a mais e destruindo seus pneus, chegou a menos de 2s5 do vencedor.