Grande parte da mídia inglesa funciona de forma curiosa na Fórmula 1. Em uma disputa como a da Mercedes, por exemplo, quando o britânico da vez vence, não há muito o que explicar. Quando ele perde, é porque há alguma história por trás.
O britânico da vez, claro, é Lewis Hamilton, que posa de ‘piloto só com o coração’, mas que mostrou inúmeras vezes que, de bobo, não tem nada. Tanto que, depois de um final de semana no qual poderia ser bastante criticado pelas inúmeras saídas de pista – inclusive uma que saiu barato, na classificação – um ritmo inferior a Nico Rosberg e uma falha incomum na saída dos boxes, jogou a isca para seus compatriotas: não está feliz com mudanças que a Mercedes fez na configuração de largada de seu carro.
A alteração foi feita antes do GP da Espanha. Foi um retorno ao que era usado na temporada 2014 por uma questão de confiança de que as largadas seriam boas. A configuração das primeiras provas de 2015 não apresentada dados tão constantes, de acordo com a equipe.
Na Áustria, foi a primeira vez que Hamilton perdeu uma posição na largada desde então. Contudo, por uma série de fatores, o inglês foi batido por Rosberg em três das últimas quatro corridas. “Eu fiz tudo o que podia, mas a embreagem continua com um rendimento ruim. Meu lado do box tem de trabalhar isso.”
Na Fórmula 1 atual, há pouco para o piloto fazer a respeito das largadas. O carro tem duas embreagens, localizadas no volante: a primeira, o piloto solta imediatamente após as luzes se apagarem. A segunda, vai controlando lentamente. No pedal, utiliza-se a revolução prevista pelos engenheiros, em uma operação que começa ainda na sexta-feira, quando se iniciam os treinos de largada tanto na saída dos boxes, quanto no próprio grid. O papel do piloto, basicamente, é respeitar as configurações e ter um tempo de reação rápido.
“Desde que mudaram a configuração eu venho tendo largadas ruins. Nico estava tendo largadas ruins, mas eles mudaram tudo e agora as dele estão boas e as minhas, ruins”, disse Hamilton após o GP da Áustria, quando, segundo ele, tirou o pé do acelerador e as revoluções não abaixaram, fazendo com que o carro derrapasse nos primeiros metros e permitindo a ultrapassagem do companheiro.
Como há quem acredite que a Mercedes lida com seus pilotos como se fossem fantoches, para dar emoção ao campeonato, tamanha sua superioridade, certamente a história vai render. Se o fantasma de Hamilton ano passado – que, inclusive, começaram a aparecer nesta fase do campeonato – foram as classificações, agora serão suas largadas que serão inspecionadas minusciosamente. Principalmente se Rosberg voltar a vencer.
