A pancada de chuva não chegou a 5 minutos, mas mudou a história do GP da Hungria. Podendo usar ambos compostos de maneira livre, pois o fato dos pilotos terem largado com pneus intermediários tirou a obrigatoriedade de usar médios e macios, os estrategistas tiveram um leque maior de opções, ainda que as informações as quais dispunham não eram uma plataforma tão clara, pois as simulações tinham sido feitas com o asfalto bem mais quente.
O erro da Mercedes
Um misto de ultrapassagem e a primeira parada feita logo na primeira oportunidade no SC levaram Lewis Hamilton do fundo do pelotão para a cola de Nico Rosberg, que teve azar quando Marcus Ericsson bateu sozinho na volta 7.
A partir de então, a Mercedes dividiu as estratégias de uma forma um tanto estranha observando-se ao final da prova. Afinal, se Hamilton fez um segundo stint (mais carregado de combustível) de 31 voltas com o pneu macio, por que a equipe decidiu colocá-lo com pneus médios para mais 31 até o final da prova, enquanto Rosberg fazia três stints com o composto mais rápido?
A única explicação para o uso dos pneus médios no caso do Hamilton é sua luta com Alonso. Sua segunda parada aconteceu na volta 39 justamente para marcar o espanhol, que havia colocado pneus macios. Era provável que Alonso ficasse, no mínimo, sem pneus no final (e muito mais possível naquele momento que o bicampeão fizesse mais uma parada) e, assim, Lewis se aproveitaria. Talvez em um circuito com mais retas a Mercedes se preocuparia menos com a Ferrari, mas a dificuldade de ultrapassagem em Hungaroring deve ter sido um fator.
Falando em Ferrari, o próprio Alonso admitiu que eles não sabiam se fariam as 32 voltas no pneu macio – que já havia sido usado na classificação. A decisão foi tomada mais na base do risco, em um ano no qual o time italiano não tem muito a perder. E deu certo.
Raikkonen também fez um stint impressionante de 33 voltas no pneu macio no meio da prova, o que foi fundamental para o finlandês escalar o pelotão após um erro da equipe deixá-lo de fora ainda no Q1 na classificação.
Conservadorismo na Williams
Quem acompanha as análises de estratégias por aqui já não se surpreende com as decisões conservadoras da Williams – e, em um dia cheio de incertezas, não seria diferente. O time está lidando com uma realidade muito diferente dos últimos anos, precisa garantir pontos, então de certa forma é um comportamento compreensível.
Em Budapeste, eles tinham um problema considerável: Massa não fez a simulação de corrida na sexta-feira por problemas em seu carro. Então eles tinham 50% menos dados que os rivais. Para piorar, Bottas havia saído com pneus macios em sua simulação, mas não gostou nada no rendimento do carro e trocou pelos médios.
Isso explica a “teimosia” da equipe com o composto que se mostrou mais lento e tão duradouro quanto o macio no decorrer da prova. O fato de, no meio da corrida, enquanto alguns dos rivais ultrapassavam 30 voltas com o macio, seus pilotos terem feito apenas 14 (Bottas) e 15 (Massa) giros com o mesmo composto também minou a confiança da equipe.
Porém, a estratégia vencedora acabou sendo a de Ricciardo, com três jogos de pneus macios. Apesar de Niki Lauda ter destacado a sorte do australiano no primeiro SC, o que de fato aconteceu (tanto por seu posicionamento quando o SC foi acionado, quanto pela decisão equivocadíssima da McLaren de manter os pneus intermediários), isso não conta toda a história. Foi no brilhante stint de 31 voltas com pneu macio que o australiano abriu os 13s que lhe dariam a possibilidade de parar com 16 voltas para o fim, retornar 9s atrás do então líder Alonso e ter pneu para atacar o espanhol e Hamilton nos últimos giros, o que o fez de forma cirúrgica.
