Julianne Cerasoli

Quem levou a melhor?

A temporada 2012 marcou o fim de um cenário dos mais incomuns: os quatro times de ponta com as mesmas duplas de pilotos por três anos consecutivos. E, com um universo de 58 corridas, trata-se de um momento oportuno para tentar desvendar quem se deu melhor em cima do colega de box.

Na leitura dos números, aproveito para lembrar que os placares de classificação não consideram eventuais punições e os de corrida contabilizam apenas provas completadas por ambos os pilotos. O nome antes de cada placar indica quem levou a melhor. Aproveitei para destacar alguns números que me chamaram a atenção.

Vettel x Webber

2010 2011 2012
Classificação VET 12 x 7 VET 16 x 3 VET 11 x 9
Corrida VET 10 x 5 VET 15 x 2 VET 11 x 6
Vitórias VET 5 x 4 VET 11 x 1 VET 5 x 2
Poles VET 10 x 5 VET 15 x 3 VET 6 x 2
Pontos VET 256 x 242 (51%) VET 392 x 258 (60%) VET 281 x 179 (61%)

Se o duelo aparentemente apertado de 2010 teve muito a ver com os mais de 60 pontos perdidos por Vettel devido a quebras, a lavada de 2011 também foge à regra – lembrando que a dupla da Red Bull entra no quinto ano de parceria em 2013.

Os dados do ano passado, porém, mostram algo interessante: tanto Vettel, quanto Webber, são conhecidos por classificar muito bem, certo? A diferença a favor do alemão é justamente que ele não é só isso. Enquanto más largadas e ritmo inconsistente marcam a carreira de Webber, Vettel vai caminhando para se tornar um piloto completo. Assim, mesmo em seu “pior” ano em termos de classificação, conseguiu a maior margem percentual em pontuação em relação ao companheiro neste ano. Maior, até, que no passeio de 2011.

Hamilton x Button

2010 2011 2012
Classificação HAM 14 x 5 HAM 13 x 6 HAM 17 x 3
Corrida HAM 9 x 3 7 x 7 HAM 9 x 4
Vitórias HAM 3 x 2 3 x 3 HAM 4 x 3
Poles HAM 1 x 0 HAM 1 x 0 HAM 7 x 1
Pontos HAM 240 x 214 (52%) BUT 270 x 227 (54%) HAM 190 x 188 (50%)

Era de se esperar que o único duelo que colocou dois campeões do mundo frente a frente nestes três anos fosse o mais equilibrado. Porém, a balança só pendeu para Button em 2011, ano marcado por diversos erros de Hamilton. Muito da superioridade de Lewis tem a ver com as classificações, nas quais foi bastante superior ao companheiro.

Por outro lado, é curioso observar que, embora tenha ampla vantagem em posições de chegada em 2010 e 2012, Hamilton não consegue transformar isso em pontos, fazendo com que, no total dos três anos, Button o supere nesse quesito. Tudo bem que as quebras de 2012 quando estava na liderança pesaram contra nesta temporada, mas não é uma tendência que vem de hoje. Será que ter ficado com o “come queito” Button como líder após a saída do virtuoso Hamilton não foi um negócio tão ruim para a McLaren?

Alonso x Massa

2010 2011 2012
Classificação ALO 15 x 4 ALO 15 x 4 ALO 17 x 3
Corrida ALO 13 x 3 ALO 13 x 2 ALO 17 x 0
Vitórias ALO 5 x 0 ALO 1 x 0 ALO 3 x 0
Poles ALO 2 x 0 ALO 0 x 0 ALO 2 x 0
Pontos ALO 252 x 144 (63%) ALO 257 x 118 (68%) ALO 278 x 122 (69%)

Em classificação, Massa não tem um desempenho tão aquém em relação a Alonso comparando os números de Button contra Hamilton, mas o abismo entre as performances dos dois é bem maior porque o brasileiro não consegue recuperar o terreno perdido em corridas, nas quais o companheiro é especialista.

A impressão é de que, quando está seguro com o carro, Massa consegue andar pelo menos no ritmo de Alonso; o problema é que a grande característica do espanhol é sua consistência, ou seja, quando o brasileiro não está em um bom final de semana, o prejuízo é grande. Causa ou consequência, é difícil culpar a Ferrari pelos claros jogos de equipe, que afetam alguns comparativos em corrida e na pontuação: eles sabem com quem, dia sim, dia também, podem contar.

Schumacher x Rosberg

2010 2011 2012
Classificação ROS 14 x 5 ROS 16 x 3 10 x 10
Corrida ROS 12 x 2 ROS 7 x 6 MSC 7 x 3
Vitórias 0 x 0 0 x 0 ROS 1 x 0
Poles 0 x 0 0 x 0 ROS 1 x 0
Pontos ROS 142 x 72 (66%) ROS 89 x 76 (53%) ROS 93 x 49 (65%)

Ainda que muita gente esperasse um Michael Schumacher, no mínimo, mais competitivo nestes três anos de sua volta, ao menos dá para dizer que o alemão não ficou estacionado na mediocridade no período em que foi companheiro de Nico Rosberg. As performances relativas do heptacampeão frente ao compatriota foram melhorando a cada ano, com destaque para os resultados em corrida nesta temporada. A pontuação só não reflete isso porque todas as cinco falhas mecânicas da Mercedes no ano ocorreram no carro de Schumacher.

É difícil saber o que era de se esperar de Schumacher voltando em uma equipe bem menos estruturada do que a Ferrari em seus dias de glória, com novas regras que mudaram a cara da competição, mais velho e após três anos parado. Tão difícil quanto entender o calibre da competição que enfrentou com Rosberg, que terá contra Hamilton a partir de 2013 – e com a promessa de outros três anos de parceria – seu maior desafio da carreira.

Sair da versão mobile