É fácil criticar a decisão de Button de largar com o pneu duro depois de terminada a corrida de Suzuka. O inglês acabou mais ou menos onde esperava, ajudado pela falha no câmbio do companheiro. Mas dá para entender em que o atual campeão estava pensando.
Na sexta-feira, mesmo os pneus duros tinham muita degradação. No treino do domingo de manhã, a tendência continuou. Algumas equipes, como a Force India, a Toro Rosso e a própria Ferrari tiveram problemas com os pneus macios. A decisão de Button, portanto, foi baseada na possibilidade – no domingo de manhã, muito provável – de que o option duraria muito pouco.
O rápido emborrachamento da pista fez com que a tendência não se concretizasse na corrida. As paradas dos líderes, depois de 25, 26 voltas, acabaram com a vantagem do inglês, que saiu do carro questionando a decisão da equipe de deixá-lo por tanto tempo na pista. Talvez, parando junto de Alonso, teria alguma chance de pressionar o espanhol, já que estaria com os pneus macios. Mas sabemos que passar é outra história – a não ser que você seja o Kobayashi e não tenha nada a perder, é claro!
A estratégia poderia funcionar se Button tivesse feito apenas uma volta no Q3. Seu melhor tempo, 1’31.378, veio na 1ª de 3 voltas rápidas. Descontando o peso do combustível, que representa perda de 0.08s por volta em Suzuka, o desempenho do carro permitiria que roubasse até o 3º posto de Kubica, que marcou 1’31.231.
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Mercedes prejudicou Schumi, quem diria!
Outra decisão estranha foi da Mercedes. Rosberg largou mal e mudou de estratégia ao fazer o único pitstop na 1ª volta. Quando seu companheiro parou, voltou logo atrás e não conseguiu passar, embora seu engenheiro tenha dito que, apesar de não haver ordens de equipe, Rosberg fora informado que não deveria dificultar.
Com isso, Michael passou 23 voltas atrás de Nico, perdendo suas melhores voltas com pneus novos e a chance de capitalizar com o problema de Hamilton.
Analisando o momento da parada de Schumi, não há explicação para a equipe tê-lo posicionado logo atrás do companheiro. A diferença entre os dois quando o heptacampeão parou era de 18.3s, ou seja, cerca de 3s menor que o necessário para que voltasse à frente. Como seus tempos de volta eram 0.5s mais rápidos, a Mercedes poderia ter esperado alguns giros e colocado Schumacher à frente.
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A única “explicação” seria a tentativa de aproveitar o abandono de Massa e dar o máximo de pontos a Rosberg, para que ele ultrapassasse o brasileiro na tabela. Com o acidente de Nico no final da prova, ambos acabaram zerados.