Julianne Cerasoli

Ricciardo é o piloto que mais pontuou desde o GP de Mônaco

Motor Racing - Formula One World Championship - Belgian Grand Prix - Race Day - Spa Francorchamps, Belgium

Era de certa forma uma marca anunciada, mas o GP da Bélgica comprovou que a nova geração de carros da Fórmula 1 anda mais nas retas do que seus antecessores, mesmo que as novas unidades de potência ainda tenham muito chão para evoluir.

Como produzem menos pressão aerodinâmica e, assim, são mais lentos nas curvas, os novos carros vinham perdendo em termos de tempo de volta em relação a 2013 em todos os circuitos, até chegar a um templo da velocidade: A melhor volta da prova, de Nico Rosberg, foi cerca de dois décimos mais rápida do que de Sebastian Vettel ano passado.

Para efeito de comparação, a diferença entre as voltas mais rápidas de 2013 e 2014 na etapa anterior, no travado circuito da Hungria, ficara acima de 1s7.

O GP da Bélgica premiou um dos grandes nomes do ano, ao lado de Valtteri Bottas: Daniel Ricciardo. De Mônaco até aqui – coincidentemente ou não, desde que as tensões internas da Mercedes explodiram publicamente pela primeira vez – o australiano é o piloto que mais pontuou: foram 102 pontos, contra 98 de Nico Rosberg, 76 de Bottas e 73 de Lewis Hamilton. Outro dado interessante é que o piloto da Red Bull venceu 25% das corridas da temporada até aqui mesmo só tendo liderado 9,6% das voltas.

Em Spa, conquistou a 50ª vitória para a Red Bull que, mesmo vivendo um ano bem abaixo dos anteriores, mantém uma média perto dos 50% de vitórias desde a primeira conquista do time, no GP da China de 2009, há 103 GPs. Muitas delas foram de Sebastian Vettel, mas o alemão, ao contrário do atual companheiro, nunca conseguiu vencer largando de fora do top 3. No caso de Ricciardo, todos os triunfos vieram assim.

Na Bélgica, Ricciardo contou com a companhia de Bottas e Rosberg no pódio. Isso significa que foi a primeira vez que nenhum dos três primeiros é o campeão do mundo desde o GP de Mônaco de 2010, que contou com Mark Webber, Robert Kubica e Sebastian Vettel fazendo a festa do champanhe.

Estreia, pero no mucho

A comparação pode soar absurda à primeira vista, mas o último alemão a estrear na Fórmula 1 no GP da Bélgica foi Michael Schumacher, em 1991. A coincidência para por aí? De jeito algum: Schumi e Lotterer pilotavam um carro verde; conseguiram superar com boa margem seus companheiros em classificação e saíram da corrida logo no início. No caso do homem que viria a ser heptacampeão mundial, o GP acabou antes mesmo da Eau Rouge devido a um problema de embreagem; para o campeão de Le Mans, durou pouco mais de uma volta.

Porém, ao contrário de Schumacher, que teve mais 18 temporadas completas pela frente, é possível que os 14km de GP sejam os únicos da carreira de Lotterer na categoria. Ainda assim, não seria o piloto com menor quilometragem na história: nove conseguiram a proeza de terem carreiras ainda mais curtas, sendo o mais azarado Marco Appicella, que andou apenas 350m, no GP da Itália, em 1993. Outra marca do alemão é ser o estreante mais velho, com 32 anos e 287 dias, desde Giovanni Lavaggi, que fez sua primeira prova aos 37 anos e 191 dias em 1995.

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