Julianne Cerasoli

Rosberg dá ‘aula’ de como perder com uma Mercedes

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Como um piloto da Mercedes, carro que venceu com facilidade mesmo com Lewis Hamilton reconhecendo que correu com o ‘freio de mão puxado’ devido à necessidade de poupar motor, consegue largar na pole position e chegar em quarto lugar? Em uma de suas piores corridas dos últimos tempos, junto do GP de Mônaco deste ano, mas sem a surpresa pela falta de aderência na chuva, Nico Rosberg mostrou que, com uma série de erros e oportunidades perdidas, isso é possível.

A primeira foi na largada. O alemão disse ter feito o mesmo procedimento da volta de apresentação, mas o resultado não poderia ter sido mais diferente. Patinando nos primeiros metros e cauteloso na primeira curva, viu Hamilton e as duas Red Bull o superarem.

Depois, teve a chance de ultrapassar Ricciardo e não conseguiu, algo fundamental para acabar com sua tarde, uma vez que seria uma corrida na qual a administração do desgaste dos pneus seria fundamental e, caso não conseguisse abrir caminho nas primeiras voltas, o jeito seria dar espaço para o carro da frente e esperar a primeira rodada de pit stops.

Na Red Bull, como Ricciardo vinha conseguindo preservar melhor os pneus traseiros, a ideia desde era dividir as estratégias, com o australiano parando duas vezes. Por isso o time não teve dúvidas em chamar Verstappen para os boxes para cobrir a primeira parada de Rosberg, ainda na volta 11, enquanto o australiano colocou os pneus macios para tentar permanecer mais tempo na pista no segundo stint.

Porém, logo ficou claro que a tática de Ricciardo teria de ser mudada. Com o calor, a performance entre os compostos macios e supermacios ficou mais próxima e não havia mais a vantagem de usar o macio e ficar mais tempo na pista. A Red Bull percebeu isso rapidamente e voltou a usar os supermacios com o australiano em sua segunda parada. Como já estavam com a borracha menos durável, Rosberg e Verstappen pararam antes e se viram lutando pelo mesmo pedaço de asfalto assim que o holandês saiu dos boxes.

Era a terceira chance de Rosberg minimizar os danos. Caso passasse Verstappen rapidamente, teria a chance de acelerar e estar na frente de Ricciardo quando o outro piloto da Red Bull parasse. Porém, o alemão tentou a manobra quando ainda estava muito atrás, fritou os pneus e não fez grande esforço para dar espaço ao holandês, sendo punido com a perda de 5s.

Tal pena seria ampliada por um erro incomum da Mercedes, que teve um problema no cronômetro e deixou o piloto parado por 8s antes de sua terceira e última troca.

Naquele momento, Rosberg era segundo, mas tinha Ricciardo a menos de 1s e bem mais rápido. Verstappen estava a 4s após a inversão de posições na Red Bull. Portanto, o alemão perderia de qualquer maneira as duas posições com a punição, mas acabou voltando dos pits mais longe do que deveria, devido ao erro de sua equipe.

Mais do que uma corrida para esquecer para Rosberg, o GP da Alemanha serviu para comprovar a evolução da Red Bull, que ficou em média a 0s3 da Mercedes mesmo em um circuito no qual a potência do motor é importante. E deixou claro que, quando os líderes do campeonato não têm o ar limpo para ditar seu ritmo de corrida e controlar seus pneus, uma dobradinha que deveria ser tranquila pode ir por água abaixo sem uma execução perfeita, algo que pode muito bem se repetir na segunda metade do ano. E ser decisivo para o campeonato.

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