Tem piloto que garante até esquecer que tem mãe quando entra no cockpit. Exageros à parte, foi curioso como Romain Grosjean, nas entrevistas dadas logo que saiu do carro, reconheceu que a largada do ano passado estava em sua mente quando as luzes se apagaram neste GP do Japão.
Afinal, foi na prova de Suzuka de 2012 que o francês ganhou o apelido de “maluco da primeira volta”, cortesia de Mark Webber. Naquela ocasião, largara no quarto posto. Webber era segundo. Ao tentar ultrapassar o australiano, deu no meio da Red Bull de forma bizarra.
Quando chegou ao Japão ano passado, os acidentes em primeiras voltas não eram novidade para o francês, que fazia sua primeira temporada completa na Fórmula 1: antes da etapa japonesa ele já havia causado nada menos que sete incidentes do tipo, inclusive levando a primeira suspensão em 18 anos na categoria após o strike do GP da Bélgica.
Neste ano, o cenário é outro. A evolução de Grosjean é notável e está relacionada às mudanças feitas nos pneus a partir do GP da Alemanha, que o ajudaram, inclusive, a superar Raikkonen em cinco das últimas seis classificações. Mas também têm a ver com o trabalho feito pelo francês para minimizar seus erros.
E não era uma das missões mais difíceis. Convenhamos, Grosjean sempre demonstrou velocidade, algo destacado com os engenheiros que trabalham com ele. Seu problema parecia ser a noção de espaço. Em 2013, o francês ainda teve seus relapsos, especialmente no péssimo final de semana em Mônaco, mas nada comparável a sua temporada de estreia.
Agora, é uma questão de consistência. Grosjean dá a impressão de ser um piloto que embala quando a fase é boa e trava quando as coisas começam a dar errado. Se não tem a classe de um Prost e nem apareceu como um cometa como Alesi, já fez por merecer sua primeira vitória e, se seguir com este mesmo momento positivo, tem uma equipe que já lhe conhece para complicar a vida de quem estiver a seu lado em 2014.
