
Os mais otimistas diriam que será no GP da Grã-Bretanha, em casa. Mas também poderia ser na Hungria, espécie de circuito-talismã. Ou até mesmo em Suzuka, onde o nome de Ayrton Senna ganha ares de entidade superior. Mas uma coisa parece muito bem encaminhada após a lavada que vimos no GP da Austrália: em algum momento neste ano, Lewis Hamilton vai superar o número de vitórias do tricampeão brasileiro.
É uma comparação da qual ele nunca fugiu, pelo contrário. E, mesmo que fora das pistas a vida de badalação de Hamilton não lembre em nada a personalidade fechada de Senna, há muita gente que vê, no equilíbrio entre a paixão e a inteligência de Lewis, lampejos de um piloto cujo respeito que desperta até hoje no paddock transcende os números.
Sim, os números de Senna não contam sua história. Mas ser o primeiro da atual geração a pelo menos igualar sua marca de vitórias certamente vai mexer com Lewis. Faltam sete triunfos e, a julgar pelo domínio da Mercedes, é bem provável que o inglês, que tem atualmente 12 provas a menos que a brasileiro, atinja essa marca com média semelhante – hoje em dia venceu 22,8% das provas que disputou, contra 25,47 de Senna.
Outra marca na qual ele deve chegar ainda em 2015 é o número de pódios (cujo placar hoje é de 80 a 71). Nesse quesito, esse renascimento da Ferrari pode fazer com que Kimi Raikkonen atinja a marca primeiro (tem 77). Fernando Alonso é o único do grid atual que passou por Senna no quesito, com 97 pódios.
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A Mercedes chegou a seu 20º pódio consecutivo – atrás apenas dos 22 entre 2003 e 2005 e 53 entre 1999 e 2002 da Ferrari – e a sua nona primeira fila seguida (este, um feito inédito).
Domínio prateado à parte, quem roubou a cena em Melbourne foram os novatos. Max Verstappen não completou, mas deve ter feito Jenson Button e Kimi Raikkonen (e, na Malásia, Fernando Alonso) se sentirem um pouco velhos: afinal, eles correram com seu pai, Jos.
Mas quem cruzou a linha de chegada e conseguiu seus primeiros pontos foi o companheiro menos badalado de Max, Carlos Sainz, que se tornou o melhor estreante da história da Espanha. No total, o país teve 12 representantes, sendo que nenhum deles tinha superado Alfonso de Portago, que foi nono em sua primeira prova, de Ferrari, em 1956.
Foi o mesmo feito obtido por Felipe Nasr – ainda que o universo de estreantes brasileiros chegue a 30. De quebra, ele se tornou o melhor estreante da história da Sauber, equipe conhecida por revelar talentos nas últimas duas décadas. O piloto de 22 anos superou o sexto lugar de Kimi Raikkonen, também na Austrália, em 2001. Seu companheiro, Marcus Ericsson, foi outro que pontuou pela primeira vez.
Culpa do grid esvaziado, diriam alguns. Certamente não no caso de Nasr que, avaliando pelo ritmo demonstrado, chegaria em sétimo caso os 20 inscritos estivessem correndo. Em tempo: ainda que ver um grid com 15 carros começando uma temporada não seja o que ninguém quer para a F-1, ter 11 carros cruzando a linha de chegada não é nenhum desastre. Em 2014, chegaram 13; em 2012, 12; em 2011 e 2010, 14. Primeiro do ano, é sempre um GP complicado. E que também costuma apontar quem vai sobrar na temporada.