
Quando começam a cair as primeiras gotas do céu, especialmente se isso acontece pela primeira vez no final de semana logo nos minutos anteriores à largada, não tem torcedor que não se anime. Afinal, a chuva é uma variável difícil de controlar para pilotos e engenheiros e costuma gerar resultados inusitados.
Melhor ainda quando ela vem na largada, obrigando os pilotos a mudarem suas configurações sem experiência prévia sob aquelas condições e sem poderem ser ajudados pelos engenheiros, que agora não podem mais dar instruções após os carros alinharem. Eles teriam que prever a aderência e tentar reagir de acordo. O que, no final das contas, é parte fundamental de seu trabalho dentro do cockpit.
Este seria um dos cenários mais emocionantes possíveis para o início de uma corrida de F-1. Mas chuva antes da largada tem significado que o piloto que estará na frente ao final da primeira volta será o do Safety Car.
É fácil culpar os pilotos por isso, mas eles têm pouco a ver com essa decisão, pautada especialmente pelas características dos pneus de chuva da Pirelli. Como a janela de temperatura dos pneus de chuva – tanto os wets, quanto os intermediários – é alta, fica realmente perigoso largar do grid com a pista molhada.
O mesmo motivo explica por que, logo que o Safety Car sai da pista, a tendência é que todos coloquem rapidamente os pneus intermediários: o problema não é a quantidade de água em si, mas sim a temperatura à qual os pneus precisam chegar para os pilotos simplesmente conseguirem se manter na pista.
Claro que o fato dos carros da F-1 andarem muito baixos, facilitando a aquaplanagem, também é um fator importante, ainda mais depois que foi adotado o regime de parque fechado, impedindo que as equipes façam alterações nos carros. Em outras palavras, o tal acerto de chuva se tornou coisa do passado.
Todos estes fatores juntos geraram esse cuidado que parece excesivo para quem compara decisões tomadas em um passado nem tão remoto assim. Mas o fato é que, desde que a F-1 usa esses pneus de janela de temperatura mais alta e que não é possível alterar significativamente os carros do sábado para o domingo, esse tipo de situação tem se repetido
O mesmo ocorre no crossover entre pneus intermediários e de pista seca, pois, especialmente com os compostos mais macios, a janela de temperatura é bem alta e fica difícil arriscar quando ainda há muitos pontos úmidos.
Esse deve ser um dos pontos revistos pela Pirell para os pneus do ano que vem, pois para fazer com que os carros sejam mais rápidos é melhor que sua janela de funcionamento seja mais ampla. Até lá, vai ser bem difícil vermos Bernd Maylander nos boxes em uma situação como a de Silverstone.