Julianne Cerasoli

Sem asas

F1 Grand Prix of Brazil - Race

O retorno da Renault como construtora e a vitória das montadoras nas últimas reuniões do Conselho e do Grupo de Estratégia deixaram a Red Bull em uma posição bastante frágil a médio prazo. Embora a série de ameaças de abandonar a Fórmula 1 tenha cessado com o acordo-tapão com os franceses, os últimos acontecimentos tornam difícil imaginar um atalho curto para o time que dominava a categoria há pouco mais de 24 meses voltar a reinar.

A cada capítulo da história dos V6 turbo híbridos na Fórmula 1, fica mais claro que Ron Dennis tinha uma boa parcela de razão quando apostou no fim da parceria com a Mercedes para buscar uma relação de equipe de fábrica com a Honda. Pelo menos até agora, não pela Honda em si, mas conceitualmente: como o novo regulamento colocou grande peso de diferencial no motor, os times que tiverem as relações mais estreitas com as fornecedoras ganham uma vantagem impossível de ser tirada apenas com um chassi brilhante, especialmente em tempos de grande restrição técnica.

E cabe o parênteses: tal restrição técnica tem sido a forma encontrada pela Federação Internacional para frear os custos, uma vez que as equipes, incluindo a Red Bull, não aceitam ter suas contas controladas.

Em teoria, a Red Bull teria uma relação de time de fábrica com a Renault, mas a incompetência dos franceses de um lado e as lavagem de roupa pública de outro fizeram a parceria ruir, deixando o time em uma posição frágil.

Ciente da importância da Red Bull como ferramenta de marketing e fomento de novos talentos para a F-1 hoje, além da tentativa de garantir proteção para seu aliado Christian Horner, Bernie Ecclestone usou todas as armas para fazer a categoria acreditar que o atual regulamento é errado, jogando os preceitos do desenvolvimento de uma nova tecnologia mais sustentável no lixo e promovendo a entrada de motores mais baratos, simples – e potencialmente mais velozes. Mas não venceu desta vez, o que colocou em dúvida a viabilidade da continuidade do projeto da Red Bull na categoria.

A empresa austríaca necessita que sua marca tenha o máximo de visibilidade possível nas corridas e, para isso, precisa protagonizá-las. Para que isso ocorra, tem de ter um motor competitivo. Para ter um motor competitivo, carece de uma parceria nos moldes do que tem a McLaren.

Não coincidentemente, muito se falou da Audi ano passado, mas o escândalo das emissões da Volkswagen fez o foco da companhia se voltar para bem longe de um retorno à Fórmula 1, sem expectativa de mudança no curto prazo.

Junte isso às dúvidas existentes a respeito da prometida revolução aerodinâmica de 2017 – que ou não sai do papel até 2018, ou será bem menos radical do que inicialmente se previa – e as chances da Red Bull voltar ao topo ficam cada vez menores.

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