Julianne Cerasoli

Sem fôlego – parte 2

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Imagine se fosse possível usar uma configuração de carro ideal para Mônaco, e obter uma velocidade de reta mais alta do que em Monza? Sim, você leu direito: é essa a expectativa dos engenheiros para o GP do México.

Continuando a falar sobre os efeitos da altitude, vamos entender agora como o ar rarefeito dos 2.250m de altitude da capital mexicana afeta os carros.

Antes, só queria salientar que a questão dos motores, de fato, existe. Não é algo tão dramático quanto seria com os aspirados, claro, mas há uma perda de potência atestada pelos engenheiros da F-1. Tanto, que a McLaren decidiu usar novas peças experimentais e sofrer punições neste final de semana, justamente porque a deficiência do MGU-H ficará ainda mais evidente.

Mas os maiores efeitos da altitude são aerodinâmicos. Os carros devem usar a maior carga aerodinâmica possível, mas esperam gerar downforce menor do que em Monza. Isso ocorre porque, como o ar é mais rarefeito em comparação com regiões que estão mais próximas ao nível do ar, ele causa menos resistência, dificultando a estabilidade dos carros. Em outras pistas, isso é resolvido aumentando a inclinação das asas, para ‘devolver’ essa resistência. Mas nem isso é suficiente no caso da Cidade do México.

Com isso, a expectativa é de que a maior velocidade registrada até aqui na temporada, os 357,3km/h de Kimi Raikkonen no GP da Itália, seja superada. Fala-se em mais de 360km/h na classificação, mas isso depende de fatores como o vento e a oportunidade de pegar vácuo [atualização: logo no primeiro treino, Hamilton já ultrapassou 363km/h, mostrando que os engenheiros até estavam sendo pessimistas]. As estimativas tão altas, mesmo com os carros sendo configurados para resistir ao máximo ao vento, também têm a ver com a extensão da reta, uma das maiores do campeonato.

A altitude ainda provoca preocupações com a refrigeração dos carros, tanto na parte de freios – com os quais a Mercedes costuma sofrer – quanto do próprio motor. Para os pilotos, a tendência é que o número de erros aumente, uma vez que os carros estarão mais ‘nervosos’ nas freadas. São todos fatores que fazem aumentar a expectativa para o retorno de um GP que parece só ter vindo a somar ao campeonato.

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