Ele defende que foi mais uma questão de adaptação às condições climáticas do que o sinal de que a Ferrari chegou na Mercedes, mas foi o ritmo de Kimi Raikkonen que mostrou do que a Scuderia era capaz em comparação com os alemães no GP da Malásia.
O finlandês chegou a ocupar a penúltima colocação, na terceira volta e, mesmo tendo dando um giro inteiro com o assoalho batendo no chão, o que nunca ajuda a performance do carro, chegou em quarto. A 53s8, é verdade, mas em quarto. Isso, em uma corrida na qual não era possível adotar um ritmo forte demais nem para aqueles que fizeram mais paradas.
Enquanto o companheiro abria caminho com 13 ultrapassagens no meio do pelotão e um segundo stint de 20 voltas impressionante, Sebastian Vettel relembrou seus velhos tempos. À vontade com o carro, como ressaltou em sua entrevista ainda no pódio, o alemão foi ao mesmo tempo rápido e suave com os pneus para construir, da 1ª à 17ª volta, quando fez sua primeira parada, a vitória que, pelo menos por duas semanas, vai calar aqueles temerários por mais um passeio das Mercedes.
Pelo menos duas semanas porque a Ferrari não tirou meio segundo por volta em duas semanas e talvez teremos de esperar até o GP da Espanha para entender se a temporada será mais para o lado do que vimos na Austrália ou na Malásia. Afinal, Raikkonen pode mesmo ter razão ao apontar o calor malaio como favorável à Ferrari, cujos últimos carros foram marcados pelo trato leve com os pneus – tanto, que por muitas vezes seus pilotos tiveram problemas para aquecê-los. Na própria corrida malaia em meio à draga do ano passado, a Scuderia se mostrou a terceira força.
Mas que foi bonito ver a emoção de Vettel regendo o hino da Itália, isso foi.
Por outro lado, se na Austrália a Williams tinha deixado a impressão de que estava atrás da Ferrari, a dúvida virou certeza. Talvez a diferença não seja tão grande quanto na Malásia, mas ficou claro que o time não pode depender de sua vantagem na velocidade de reta – que ainda existe, mas não é tão grande quanto antes. O FW37, que já evoluiu bastante em relação à pressão aerodinâmica, precisa se equilibrar melhor para recolocar Massa e Bottas na luta real por pódios.
Mas quem vem chamando a atenção nesse início de temporada é a Toro Rosso. Tanto, que a equipe, que tem um orçamento menos de cinco vezes menor que a Red Bull, está na frente dos tetracampeões. Parte tem a ver com o carro, claro, e a boa interação com a Renault, mas também deve-se às performances consistentes da dupla mais jovem da história. Parece que esse tal de Helmut Marko sabe das coisas. Simplesmente um quarto do grid veio de suas mãos.
A McLaren também impressionou neste final de semana. Em plena Malásia, sob circunstâncias que tinham tudo para trazer muitos problemas para o projeto extremamente compacto do motor Honda, o time conseguiu, ao menos, competir. E, nas curvas, deixa claro que o fim dos dias de vacas magras é uma questão de tempo.
Quanto a Nasr, o brasileiro agora já experimentou os dois lados da moeda na Fórmula 1: quando tudo se encaixa e quando ele simplesmente ficou perdido do começo ao fim. É pela maneira como ele vai trabalhar esses inevitáveis altos e baixos que mostrará se será aquele estreante que veio para ficar.
