Julianne Cerasoli

Temporada não deve ter um “dono” até o final

Pois é, Seb. Disputa promete ser quente...

Não é exagero dizer que as 11 primeiras etapas deste Mundial de F-1 foram marcadas por 11 diferentes relações de forças entre as equipes, resultado do quarto campeonato disputado basicamente sob as mesmas regras técnicas e da sequência de decisões da FIA que coibiu o desenvolvimento de tecnologias caras, como o difusor soprado, e fizeram com que equipes por anos relegadas ao segundo plano entrassem na luta pelas primeiras posições.

Não é de se admirar, portanto, que o ritmo de desenvolvimento seja a grande preocupação das equipes. Afinal, uma melhora de um ou dois décimos pode significar quatro a seis posições no grid – e temos visto o quanto largar na frente é importante para gerenciar o resultado na corrida.

Mas o desenvolvimento neste ano não tem sido nada simples, resultado do comportamento de difícil compreensão dos pneus Pirelli. A famosa janela de funcionamento estreita é sensível a ponto de um mero duto de freio direcionado à roda ter revolucionado o desempenho de Bruno Senna na última classificação, na Hungria. Inclusive, para confundir ainda mais as equipes, é comum que um piloto tenha um desempenho muito superior a outro com o mesmo carro, outra consequência dessa janela em que os pneus funcionam em seu melhor.

Não coincidentemente, os três carros com desempenho mais constante no ano – Red Bull, Ferrari e Lotus – são os que trabalham dentro dessa janela nas mais variadas condições. Compostos, características dos circuitos e temperatura de pista afetam os pneus, o que explica o sobe e desce de performances.

Tudo isso dificulta a análise das novidades e as decisões acerca de qual caminho deve ser seguido. Para vencer isso, cada equipe tem sua estratégia – que depende muito de seu poderio financeiro. A “ciência” do desenvolvimento é das mais complicadas. Como até a pesquisa consome muito dinheiro, quanto menor o orçamento, mais cuidado deve haver no caminho escolhido. E, muitas vezes, uma equipe pode saber quais são suas deficiências e ter uma boa ideia de como resolvê-las, mas não fazer nada a respeito.

É o caso da Force India, que já avisou que não vai mais desenvolver o carro deste ano. Isso porque perceberam que será muito dinheiro gasto para dificilmente sair da oitava colocação no Mundial de Construtores. Além disso, lamentam o terreno perdido por ter focado demais no carro do ano passado no segundo semestre, tentado uma quinta colocação no campeonato que acabou não vindo. Certamente, Williams e Sauber viverão o mesmo dilema, pois se desenha uma briga entre ambas pela sexta posição. Tirando Red Bull, Ferrari e McLaren, para todas as outras, é uma questão de equilíbrio entre o quanto será ganho lá na frente com o avanço de hoje.

Isso pauta até o tipo de novidade que a equipe leva à pista. A Lotus, por exemplo, desistiu de disputar com as demais equipes grandes na área do difusor soprado e investiu na melhoria de seu DRS.

Vimos equipes dando grandes saltos até aqui: Red Bull em Valência, Ferrari na Espanha, McLaren recentemente na Alemanha e o time de Raikkonen e Grosjean promete o seu para a Bélgica, quando estreia seu DRS duplo. O que parece improvável, no entanto, é que alguém supere completamente a variação de performances num passe de mágica.

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