
A estreia de Baku no calendário da Fórmula 1 teve um pouco de tudo. Da desconfiança inicial de muita gente do paddock que simplesmente se nega a acreditar que pode existir civilização fora do que já conhece, passando pelo encanto com uma cultura bastante peculiar, com uma grande influência turca, pincelada por cores árabes e russos, e uma simpatia quase exagerada dos locais, tentando de tudo para impressionar os ‘forasteiros’, até chegar – infelizmente – em uma corrida que ninguém via a hora de terminar.
A falta de emoções de uma prova que se desenhava como épica dentro de um cenário tão improvável frustrou as expectativas, mas pelo menos serviu como mais uma reviravolta no campeonato. Ao contrário de uma semana atrás, é Hamilton quem teve sua confiança testada e buscará dar a volta por cima na próxima etapa.
Rosberg, por sua vez, mediu perfeitamente aquele passo a passo necessário para uma pista nova e altamente desafiadora, que pune o menor dos erros. Não se preocupou em ser o mais rápido nos treinos livres, foi aumentando a intensidade aos poucos e buscando se adaptar às mudanças da pistas, mais bruscas por se tratar de um circuito de rua e de um asfalto novo. Não por acaso, saiu ileso de uma classificação que pegou os mais agressivos de surpresa e pavimentou seu caminho para uma vitória absolutamente tranquila no domingo.
Do outro lado, Hamilton se viu às voltas com mais um problema de motor. Desta vez, uma configuração errada da própria equipe, segundo a versão oficial. Tanto, que o inglês já admite não ter tanta confiança em seu equipamento, que o deixou na mão algumas vezes nesta temporada. Aliás, o tricampeão sabe muito bem que está ‘pendurado’ em dois lados: já está na quarta unidade de um dos elementos da unidade de potência e está a uma reprimenda de perder 10 posições no grid de largada.
Somando-se a isso, voltou a ficar 24 pontos de desvantagem no campeonato, mesma quantia de antes do GP do Canadá.
Mas seriam esses elementos para desestabilizar o inglês? Nem mesmo o resultado frustrante tira de Lewis um trunfo importante: Rosberg ainda não o bateu em um duelo mano a mano, tendo construído sua vantagem ‘jogando no erro do adversário’.
Mas a vantagem existe e gera a pergunta: por que têm ocorrido tantos erros? A pressão da imprensa inglesa já começou ainda no sábado, questionando o comprometimento de um piloto que apareceu em Baku dizendo que havia feito oito voltas no simulador e que nem se interessava em andar pela pista para ver quais trechos poderiam ser mais complicados. E pode ter certeza que tal pressão só piorou quando o inglês demonstrou dificuldade em resolver um problema que apareceu em seu volante. Por mais que muitos concordem que a restrição ao rádio seja um preciosismo, esta é a atual regra e cabe aos pilotos se adaptarem.
E são estes detalhes que Rosberg conhece muito bem.
No mais, o GP da Europa comprovou a ‘sede’ por calor da Ferrari, ajudada pela queda das pressões de pneus que a Pirelli promoveu entre sexta e sábado. E fez com que todos prestassem atenção à Force India, quem mais conseguiu usar uma vantagem que ainda existe, especialmente com a recuperação de energia na corrida, do motor Mercedes. Com Felipe Massa perdido com os pneus, restou saber do que Valtteri Bottas seria capaz com uma classificação melhor. Por essas e outras, voltar a um cenário ‘normal’ em duas semanas, na Áustria, será mais que bem-vindo.