Ícone do site Julianne Cerasoli

Treino é treino…

É fácil fazer bonito nos testes de pré-temporada. Não precisa nem andar fora de regulamento, como muita gente repete sem nenhuma base teórica. Fazer isso, aliás, seria extremamente contraproducente. E, no final das contas, não é necessário.

Imaginem que cada 10 quilos a mais no tanque de gasolina – na F1 a conta é feita em quilos, e não em litros – representa 0s3 por volta no circuito de Jerez, que abrigou os primeiros testes da pré-temporada, entre domingo e quarta-feira. Para se ter uma ideia do impacto do peso do combustível, a pole position do GP da Espanha do ano passado foi feita em 1min25s232. Com os mesmos pneus, mas de tanque cheio, o líder começou a prova andando em um ritmo de 1min32. Isso mesmo, sete segundos mais lento!

E tem ainda a questão dos pneus. Vemos ao longo da temporada que a diferença entre os pneus macio e médio, por exemplo, raramente é menor do que 1s. E nos testes não há qualquer obrigatoriedade em relação ao composto utilizado.

É por essas e outras que, quando se diz que os tempos mais rápidos das Ferrari de Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen em três dos quatro dias de treinos – e do estreante brasileiro Felipe Nasr, da Sauber – não significam muita coisa, é pra valer.

Raikkonen fechou o primeiro de três testes da pré-temporada como o mais rápido, com uma marca estabelecida com pneus macios e em uma saída na qual deu poucas voltas, indicando que não estava com muito combustível.

Que a Ferrari melhorou, não há dúvidas, haja visto que era difícil piorar em relação ao desequilibrado e lento modelo de 2014, com o qual a Scuderia passou seu primeiro ano desde 1993 sem vitórias. E o próprio Raikkonen se disse bem mais confortável no carro e elogiou os ganhos da nova unidade de potência, um dos pontos mais deficitários do ano passado. Vale lembrar que a Sauber também usa motor Ferrari.

Porém, depois de terminar a temporada mantendo uma vantagem considerável em relação à concorrência, a Mercedes também demonstrou ter dado um salto – e não precisou liderar nenhuma sessão para provar isso.

As simulações de corrida de Nico Rosberg e Lewis Hamilton chamaram a atenção: o alemão fez 24 voltas – portanto, tinha um volume considerável no tanque – com tempos entre 1min23 e 1min24, usando os pneus médios (nenhum dos pilotos da Mercedes chegou a colocar o composto macio durante o teste). Comparando com o 1min20s8 de Raikkonen e as condições em que esse tempo foi obtido, dá para concluir que os atuais campeões mundiais poderiam batê-lo. Com um pé nas costas.

 Coluna publicada no jornal Correio Popular.

Sair da versão mobile