Julianne Cerasoli

Tudo por um simples rodízio de pneus

Repare na letra R, de right (direita), pintada no traseiro esquerdo da Mercedes

Então a Pirelli resolveu alterar apenas a construção dos pneus, deixando os compostos intactos, o que significa que nada vai mudar na prática? Nada é tão simples assim na F-1. E é por isso que a briga em torno dos pneus, que estreiam nos treinos livres do GP do Canadá, parece longe de acabar.

Primeiramente, temos de entender as regras. O regulamento impede que a fornecedora de pneus mude seu produto durante a temporada a não ser que conte com o apoio unânime das equipes. Outra brecha é alegar questões de segurança, algo de que a Pirelli não lançou mão, pois os italianos temiam um desgaste para a marca.

Desgaste que já havia ocorrido com os quatro pneus dechapados nos GPs do Bahrein e da Espanha, sendo dois durante a corrida, com Felipe Massa. Apesar dos especialistas garantirem que  é mais seguro a borracha se desintegrar, mas o pneu continuar inflado, do que uma explosão, isso não cai bem.

Resumindo: a Pirelli está mudando o pneu por uma questão de imagem, mesmo motivo que a impede de alegar motivos de segurança para fazê-lo. Tendo de contar com a aprovação de todas as equipes, encontra-se em uma encruzilhada.

Isso porque esta alteração no pneu não é tão sutil quanto se está tentando vender. Ela não será no composto em si, e portanto não deve interferir na questão do desgaste, mas tirará a vantagem de algumas equipes, que descobriram um segredo para tirar mais performance da borracha: o rodízio dos pneus.

Com a adoção de uma nova construção em 2013, a Pirelli passou a determinar os lados corretos para os pneus. Algumas equipes descobriram que invertendo o pneu direito com o esquerdo e fazendo algumas modificações no acerto do carro, conseguiam um desempenho melhor. Isso funciona apenas nos pneus traseiros.

A Mercedes foi a última das que efetuaram essa troca com sucesso, começando justamente no GP que venceu com propriedade, em Mônaco.

O problema de retornar à construção de 2012, usando kevlar no lugar da banda de aço atual, é que os pneus são iguais, sem diferenciação de direita e esquerda, e a vantagem do rodízio será perdida. O impacto que isso terá, além de outras consequências da mudança, como a perda de velocidade em contorno de curva e o tipo diferente de deformação, será colocado à prova na sexta-feira no Canadá. E quem sentir que perdeu terreno vai fazer de tudo para impedir a estreia oficial da novidade na Grã-Bretanha.

Sair da versão mobile