Julianne Cerasoli

Tudo sob controle. Será?

MONTREAL (CANADA) © FOTO STUDIO COLOMBO PER FERRARI MEDIA (© COPYRIGHT FREE)

Se desse para confiar apenas no que foi dito nesta quinta-feira no circuito Gilles Villeneuve, o melhor seria fazer as malas e pensar já na próxima prova. Nico Rosberg se mostra absolutamente tranquilo – até mesmo voltando em um circuito no qual ambos os carros tiveram problemas ano passado – Sebastian Vettel parece resignada ainda que esteja trazendo novidades em seu motor, Felipe Massa está convencido de que a Williams voltará a ser pelo menos a terceira força após o já esperado apagão de Mônaco, Felipe Nasr acredita que pode aproveitar oportunidades e lutar por pontos, a dupla da McLaren não consegue disfarçar o desânimo sequer na linguagem corporal. Tudo parece levar a um roteiro já pré-programado para domingo.

Ainda bem, contudo, que estamos em Montreal. E se há um lugar em que tudo pode acontecer, é aqui. Um asfalto com pouca aderência – o que deve ser ainda mais marcante em 2015 porque os pneus supermacios deste ano são mais duros em relação ao ano passado, o que deve complicar o aquecimento, uma vez que não são esperadas altas temperaturas, e dar emoção à classificação – freadas fortíssimas e muros próximos formam uma combinação que gerou muita emoção nos últimos anos.

Para a Mercedes, trata-se de uma prova interessante. Rosberg fez questão de salientar nesta quinta-feira que a Mercedes está tranquila em relação aos problemas que teve ano passado e não cansou de repetir que eles nada tiveram a ver com os freios em si – afinal, a pista do Canadá tem algumas das freadas mais fortes do calendário – e justificou que o meu funcionamento do ERS fez com que eles tivessem de usar um equilíbrio de freios longe do ideal durante a corrida, o que acabou desgastando os discos.

Contudo, o superaquecimento dos freios tem sido uma preocupação para a Mercedes em algumas provas – como no Bahrein e em Mônaco. E, no Canadá, além da força das freadas em si, o fato dos guard rails estarem próximos dificulta o arrefecimento de todos os sistemas do carro.

Na Ferrari, também, o discurso parece mais tranquilo do que a realidade. Os italianos usaram 3 dos 10 tokens aos quais tinha direito e estreia a novidade justamente em uma pista na qual o motor é especialmente importante e vêm de uma performance que não deixou de ser surpreendente em Mônaco, embora ainda longe das Mercedes.

A Williams, por sua vez, esconde a confiança de iniciar, no Canadá, uma sequência de provas em que seu carro deve funcionar melhor do que em todas as etapas até aqui: Montreal-Áustria-Silverstone é um trio em que a velocidade final do carro vai contar a favor e talvez este seja um motivo forte para a Ferrari ter corrido com suas fichas.

Entre uma escondida de jogo e outra, melhor ficar com a empolgação do público canadense, que compareceu em peso já na quinta-feira à sessão de autógrafos dos pilotos. Não é a toa que é uma das provas preferidas de todos na Fórmula 1. Ainda que os pilotos estejam teimando em querer tirar a graça do final de semana.

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