
Não serei eu quem vai dar uma de guia turística de São Paulo. Desta vez o turistando é mais um guia de sobrevivência para ver a corrida em Interlagos. Isso porque, a não ser que você tenha a sorte de ganhar um ingresso VIP ou puder bancar as opções que geram mais conforto, o GP do Brasil e daqueles programas de índio que acabam viciando sem conseguirmos explicar por quê.
A pista é maravilhosa, curta e cheia de altos e baixos, gera corridas boas, e mesmo as arquibancadas mais baratas têm vistas que estão entre as melhores da temporada. Dependendo de onde você fica no setor A, é possível ver uns 75% da pista. Nas arquibancadas, você vai encontrar aqueles que torcer para o mesmo piloto que você, aqueles que torcem para o rival, mas será a chance de passar horas conversando sobre aquele assunto que muitas vezes é difícil encaixar em um churrasco com os amigos.
E a lua-de-mel para por aí. De resto, é preciso um pouco de espírito guerreiro.
Primeiro porque é Interlagos e é melhor pensar duas vezes antes de ir de carro. Vai pagar um absurdo para o flanelinha sem ter a certeza de que tudo estará bem, ou adotar a estratégia de parar no shopping e ir de ônibus até a pista. Dependendo de onde você vem, melhor é mesmo pegar o trem.
Segundo porque nas tais arquibancadas mais baratas e com boa visão da pista – especialmente a A – a numeração de lugares não é respeitada. É por isso – e pela bagunça também, é verdade – que muita gente dorme na fila ou chega antes dos portões abrirem, geralmente às 7h. Já fiz isso e vivi todas as estações do ano em algumas horas, sentada no concreto e pensando que pagara algumas centenas de reais por aquilo. Não é das situações mais empolgantes.
Assim como não é o ambiente mais agradável para mulheres, sempre alvo de comentários bastante dispensáveis, no mínimo. E curiosamente a agressividade é até maior com as acompanhadas por homens. Mas nós vamos e continuaremos indo mesmo assim.
Mas não é preciso passar a noite na fila, e nos últimos anos têm ficado mais tranquilo. A única questão é que, quanto mais tarde chegar, menor a possibilidade de pegar um bom lugar.
Falando em quatro estações, é bom se preparar para tudo, da capa de chuva ao protetor solar. E comida, se não estiver afim de gastar mais uma nota dentro do Autódromo. Isopores, garrafas e latinhas, contudo, não entram.
É curioso como essas “brasilidades” fazem de Interlagos um GP raíz mesmo sem o perrengue de se acampar no meio do barro, como muitos torcedores fazem em provas europeias. Afinal, como diria José Simão, aqui nóis sofre mas nóis goza.
RAIO-X
Preços: São Paulo já não é uma cidade barata e não são muitos os hoteis na região do autódromo, o que também inflaciona os preços. A maioria dos profissionais da F-1 fica na região da Berrini, o que pode ser uma boa opção para deslocar-se até o autódromo, mas não para curtir a cidade – e acredito que seja por isso que boa parte do paddock não goste da etapa paulistana, pois só veem trânsito pela frente. E os ingressos também estão entre os mais caros no ano. Para quem tem que viajar para ir ao GP Brasil, talvez valha a pena estudar a possibilidade de ir para alguma etapa fora do país, casando com outros passeios.
Melhor época: A F-1 descobriu a duras penas que chove bastante no começo do ano em SP. E no inverno pode ser que fique muito seco, o que não é nada agradável em uma cidade tão poluída. E os paulistanos vão dizer que a melhor época para visitar a cidade é em algum feriado!
Por que vale a pena? Tem seus perrengues, mas é o GP do Brasil! E não sabemos por quanto tempo vai durar…