
A corrida deve ser semelhante ao GP da Índia, apesar dos cenários tão distintos: uma parada, com os pilotos podendo forçar um pouco mais porque a degradação não é tão alta, mas com as trocas de posição dependendo muito da velocidade de reta de cada carro.
Mesmo que as pistas tenham características diferentes – Buddh é um circuito recheado de curvas de alta, enquanto Abu Dhabi é travado – as ultrapassagens acabam restritas ao final das retas. O resultado é que carros sem velocidade final, mesmo que tenham rendimento muito melhor no geral, ficam travados atrás de outros que correm mais na reta.
Ambos os estilos de traçado fazem com que o acerto do carro seja um grande desafio. Os carros são acertados antes da classificação e pouca coisa pode ser alterada até a corrida. Um dos pontos principais é a relação de marchas. A grosso modo, pode-se optar por privilegiar o carro usando a DRS o tempo todo – na classificação – ou não. Ao adotar uma sétima marcha mais curta, melhora-se a aceleração e, consequentemente, o tempo de volta. Por outro lado, chega-se ao limitador de 18 mil giros mais cedo em retas longas e, sem conseguir ganhar velocidade a partir de determinado momento, fica difícil ultrapassar.
Abu Dhabi deu uma aula clara dessas há dois anos e tivemos outra no último GP, com Kimi Raikkonen de um lado e Fernando Alonso do outro. Já na primeira volta deu para perceber que a Ferrari havia sacrificado o tempo de volta em favor da velocidade de reta, enquanto a Lotus adotara a tática contrária.
Não dá para dizer que a fórmula x é mais vencedora que a y, pois é uma opção que depende das características do carro. Se sentir que é bom o bastante para largar na frente, não é necessário apostar em velocidade de reta; se acredita que estará no meio do pelotão, é melhor preparar-se para ultrapassar.
A julgar pelos dados da classificação, esse segundo caminho foi o escolhido pela Williams e novamente parece ter sido a opção da Ferrari, que não se adaptou como esperava a Yas Marina.
Esse seria é um fator que complicaria ainda mais a corrida de Sebastian Vettel – e explica a decisão da equipe de tirar o carro do parque fechado, levando o piloto a largar do pitlane. A Red Bull tem um carro mais voltado à classificação, com as piores velocidades de reta do grid todo e irá mudar a relação de marchas do carro do piloto para reverter isso. Caso contrário, mais uma vez acabaria acusado de não saber ultrapassar. Com justiça?