Para tudo o que Nico Rosberg faz, Lewis Hamilton tem uma resposta. O alemão foi muito bem neste final de semana, alterando o acerto da sexta (quando estava a meio segundo do companheiro) e ganhando muito terreno no sábado; adotando uma estratégia diferente e administrando muito bem os pneus para executá-la. Mas perdeu novamente. E deve ser impossível disfarçar a vantagem psicológica que Lewis tem a cada jab que consegue encaixar no companheiro. Pode ser que a luta vá até o último round, uma vez que a vantagem da Mercedes é tamanha que Nico deve seguir com seus segundos lugares, mas é bom o alemão tentar algum golpe novo se quiser o cinturão.
É essa confiança de quem tem 100% de aproveitamento quando esteve na pista que parece dar a vantagem a Hamilton no momento. Sim, o inglês é mais habilidoso, consegue tirar aquele décimo a mais em classificações e se adapta mais rapidamente a situações contrárias, mas tem sido fundamental manter-se à frente mesmo quando Rosberg é mais rápido, como aconteceu neste GP da Espanha e já fora o caso no Bahrein. Nem quando foi campeão Lewis pilotou tão bem.
Saindo do mundo Mercedes, a prova em Barcelona acabou sendo uma ducha de água fria: com updates no software do motor, combustível e teoricamente beneficiada pelas curvas de alta, a Red Bull chegou a 48s do vencedor. Ainda que Christian Horner garanta que Ricciardo perdeu tempo atrás de Bottas no primeiro stint e a diferença não é tão grande, era de se esperar que qualquer um que quisesse rivalizar com os alemães já estivesse mais perto no momento.
E parece que a única chance da Mercedes ter uma rival neste ano é o crescimento da própria Red Bull. Foi impressionante a dificuldade que os pilotos da Ferrari tiveram para segurar o carro neste final de semana e Alonso atestou que a diferença de quase 1min30 para o líder mostra que a evolução dos italianos e dos alemães está estável. “Antes era 1min porque foram provas Safety Car”, lembrou.
Quem ocupou o posto da Ferrari foi a Williams, que surpreendeu em uma pista que não deveria lhe favorecer. Mas a primeira impressão é de que a volta de classificação de Valtteri Bottas que ampliou a diferença na briga com Force India e, principalmente, McLaren. Andando no pelotão da frente e com pista livre o tempo todo, o finlandês determinou o próprio ritmo e protegeu os pneus, ao contrário, inclusive, de Massa. Lembra estratégia de Vettel para dominar ano passado? O princípio é o mesmo. Do quinto para trás, todos os que andaram no tráfego tiveram um ritmo ruim.
Peguemos o exemplo de Magnussen: o piloto da McLaren fez a sétima melhor volta da prova, sendo que cinco dos mais velozes estavam na estratégia de três paradas e, portanto, sempre tinham pneus mais rápidos. Claro que um final de semana de corrida compreende classificação e a prova em si e os pilotos da McLaren não conseguiram fazer os pneus funcionarem em uma volta lançada, mas talvez o resultado péssimo da Espanha não seja um retrato 100% real da disputa pelo posto de terceira força.
Por último, mas não menos importante, como diriam os ingleses, Vettel renasceu das cinzas para ser quarto. O alemão dera apenas 35 voltas por todo o final de semana antes de largar, mas teve a paciência necessária no meio do pelotão para não destruir os pneus e soube usar o ritmo da Red Bull quando teve pista livre. Quando teve de ultrapassar, inventou lugares, dando um drible na dificuldade do carro nas retas. A estratégia também ajudou, mas esse é um assunto para discutirmos ao longo da semana.
