Julianne Cerasoli

Um dia após o outro

Motor Racing - Formula One World Championship - British Grand Prix - Race Day - Silverstone, England

O campeonato está a salvo. Duas vezes. Tanto pelo abandono de Nico Rosberg, que chegou em boa hora para esquentar ainda mais a briga e desafiar o alemão a correr sob a pressão iminente de perder a liderança, quanto pela vitória mais contundente da Mercedes até aqui na temporada.

Se a equipe chegou a temer, após provas mais difíceis do Canadá para cá, que a briga interna e o menor fluxo de informações entre seus pilotos podia comprometer a evolução do carro a longo prazo, Silverstone mostrou que a margem de manobra é grande, muito grande. O resultado final mostra 30 segundos de diferença de Lewis Hamilton para o segundo colocado, Valtteri Bottas, mas a vantagem poderia ser na casa dos 50 caso o inglês não tivesse feito sua segunda parada, por segurança. E, sobrando tanto, não há motivos para Toto Wolff e companhia pensarem em restringir a briga interna.

A única dor de cabeça real dos líderes do campeonato continua sendo a confiabilidade. Já são três quebras no ano, além de um sem-número de problemas administrados durante as provas. É algo que se esperava neste ano, com tantas novidades no campo técnico, mas a impressão é de que a equipe não consegue evoluir no quesito.

Falando em evolução, mais do que o resultado, o ritmo de Bottas é uma notícia incrível para a Williams, que, mesmo largando seis posições atrás, conseguiu superar a Red Bull de Ricciardo com estratégia semelhante – e sobras. A prova em Silverstone era fundamental para a equipe determinar se havia melhorado em tração e curvas de alta, suas duas maiores fraquezas, e certamente a missão foi cumprida. Isso, a ponto de considerarmos o time de Grove como o que mais evoluiu na temporada desde a primeira prova.

Após a prova, Massa falou aos jornalistas brasileiros que o resultado do companheiro mostra como a equipe pode lutar por pódios em vários tipos de circuito daqui em diante. Pelo ritmo demonstrado, isso parece certo. Porém, na Fórmula 1, um carro rápido não é tudo e o time precisa melhorar seus processos durante o final de semana, especialmente táticos. Em Silverstone, o erro da classificação provavelmente privou o time de um pódio duplo. A conta já está grande.

No mais, Alonso mais uma vez foi um gigante em uma briga desigual com Vettel e, méritos de Ricciardo e seus pneus Highlander à parte, é uma pena que Button não tenha conseguido seu primeiro pódio em Silverstone, após uma classificação impecável e uma corrida muito sólida, escolhendo as brigas certas. Troféu à parte, certamente o velho John ficou orgulhoso.

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