
Uma hora a sorte tem que mudar de lado, repetiu Lewis Hamilton nos últimos meses. Quando o inglês ficou parado na saída do pitlane na classificação, parecia que a reação ficaria para o Canadá. Mas tudo acabou dando certo para o piloto britânico pela primeira vez no ano ao mesmo tempo em que Nico Rosberg teve sua pior prova em meses no que pode se tornar uma virada importante no campeonato.
Não que Hamilton tenha ganhado apenas pela sorte. Tanto seu stint com pneus de chuva, e principalmente o que ele conseguiu fazer com os ultramacios na segunda metade da prova, foram fundamentais para a suada 44ª vitória na carreira. Um momento fundamental foi quando a Mercedes decidiu chamá-lo ao box para colocar os pneus de pista seca na volta 31, sem ter segurança de que o asfalto estava seco o suficiente. “Mas sabíamos que, se alguém poderia conseguir, seria Lewis”, disse Toto Wolff após a prova.
Ainda assim, muito provavelmente todo o risco assumido pelo time não seria suficiente para dar a vitória ao inglês sem o erro bobo da Red Bull na parada de Ricciardo. A chefia da equipe falou em falta de comunicação, mas foi com palavras que o australiano deixou bem clara sua insatisfação. Afinal, pela segunda corrida seguida o time não lhe ajuda – para dizer o mínimo – a concretizar uma chance clara de vitória. A reação do piloto até levantou a suspeita de que seus dias no time poderiam estar contados – e não faltariam equipes interessadas em contar com um dos pilotos mais competentes e com uma enorme popularidade.
Sem conseguir gerar temperatura nos pneus, Nico Rosberg fez uma corrida vexatória, que surpreendeu até ele mesmo. Diferentemente da maré de azar de Hamilton, o alemão tem só a si mesmo para culpar pelo sétimo lugar e, ainda que em termos técnicos o que acontece em Mônaco costume ficar por lá, psicologicamente isso certamente foi um golpe.
Em uma corrida na qual houve muito mais barbeiragem do que o normal – desde Jolyon Palmer e Kimi Raikkonen batendo sozinhos, passando pela manobra estúpida de Daniil Kvyat – o lance que mais deu o que falar na pista foi a batida entre os pilotos da Sauber. O clima dentro da equipe é tenso e uma situação desta era questão de tempo. Para Nasr, foi importante se impor, mas é difícil saber quais os desdobramentos que virão ao longo de uma temporada que deve ser difícil para o brasileiro.