Julianne Cerasoli

Uma hora de tensão pura

“Tinha decidido colocar combustível apenas para uma volta, mas cometi um erro na configuração do carro, que fez com que o equilíbrio de freio estivesse completamente errado. Daí, não tive uma segunda chance por causa do combustível. Então, meu melhor tempo acabou sendo com os pneus usados.”

O relato de Kamui Kobayashi sobre sua classificação para o GP da Índia é prova de quanta coisa pode dar errado naquele que é, talvez junto da largada, o momento de maior tensão em um final de semana de corrida.

São várias as decisões que podem levar uma classificação do céu à terra. A começar pelo momento em que se decide sair dos boxes: em uma sessão como da Índia, por exemplo, em que a pista evoluía a cada minuto, você vai optar por deixar para a última hora ou garantir que não será atrapalhado pelo tráfego? E apostará tudo em uma volta lançada, como fez Kamui, ou dará mais margem no combustível?

A questão do tráfego é sempre importante não apenas na volta em si, como também na hora de aquecer os pneus. Que o diga Mark Webber, que afirmou ter perdido a pole justamente por um trabalho mal feito com os compostos.

E há também as configurações de volante citadas por Koba. Um erro no diferencial, um ponto de freada perdido e lá se vão décimos preciosos, principalmente em um treino no qual 11 pilotos ficaram separados por cerca de 1s no Q2.

Além dos problemas de sempre, a tomada de tempos na Índia teve outro fator complicador: a pista. “Há muitas chicanes e entradas de curva rápidas. Você tem de ser muito preciso. Se você sai um pouco da trajetória, perde tempo. Vimos muitos cometendo erros, do começo ao fim do grid.” De fato, Massa, Hamilton, Vettel, para citar alguns, foram pegos de surpresa pelas armadilhas do veloz sobe e desce indiano.

Um carro equilibrado, claro, sempre ajuda. Porém, com tantos fatores que podem dar errado dentro de uma hora de treino, há de se respeitar quem, corrida sim, corrida também, consegue escapar de cada uma das armadilhas.

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