
Não é mata-mata, mas o GP da Grã-Bretanha tomou ares decisivos após a Williams chegar a apenas seis segundos das Mercedes na prova do final de semana passado, na Áustria. Decisivo para Lewis Hamilton, que corre com o apoio da torcida em casa para virar a maré positiva para o seu lado o mais rápido possível depois de perder 32 pontos em relação ao companheiro e rival Nico Rosberg nas últimas três provas. Afinal, abandonos à parte, em um campeonato apertado e contando com o mesmo equipamento do rival, a confiança conta muito.
Mais do que isso, a nona etapa também é chave para a Mercedes confirmar se a queda de rendimento em relação aos rivais é algo relacionado apenas às pistas ou se realmente o duelo interno está cobrando seu preço.
O chefe administrativo da equipe, Toto Wolff, é o primeiro a admitir que “o fluxo de informações está sofrendo” com o inevitável crescimento da rivalidade entre seus dois pilotos. Sabendo que o título ficará entre eles, Rosberg e Hamilton e seus respectivos times tentam esconder o jogo ao máximo, o que pode prejudicar o desenvolvimento do carro e a execução das corridas – e facilitar a vida de rivais que, se não têm condições de lutar pelo título, certamente vão testar o poderio que parecia impenetrável há um mês.
O último GP que a Mercedes venceu de forma arrasadora foi na Espanha, com incríveis 49 segundos de vantagem para a Red Bull de Daniel Ricciardo. A pista de Barcelona, com predominância de curvas de alta e uma sessão mais lenta, guarda semelhanças com o palco da próxima etapa, Silverstone. Os mesmos compostos de pneus – duro e médio – também serão usados. Não poderia haver uma chance melhor, portanto, de vermos o quanto foi perdido nas seis semanas entre o GP espanhol e o britânico.
De Barcelona para cá, a equipe acumulou problemas, primeiro entre os pilotos, com a desconfiança de Hamilton de que Rosberg teria o prejudicado de propósito na classificação em Mônaco, e depois com o carro, que sofreu com superaquecimento de freios no Canadá (algo que, somado a uma falha no sistema de recuperação de energia cinética, acabou custando uma vitória pela primeira vez no ano) e na Áustria.
Nem tudo, é claro, é culpa da disputa interna pelo título. Porém, caso a Mercedes tenha outra prova complicada em um circuito bastante favorável a seu carro, será a hora dos chefões do time começarem a intervir. Para o bem da disputa, uma rara oportunidade de ver dois pilotos lutando com equipamentos iguais, tomara que eles levem o GP da Grã-Bretanha de goleada.
Coluna publicada no jornal Correio Popular