
Quando Lewis Hamilton e Nico Rosberg bateram na saída da curva 3, parecia impossível que o GP da Espanha tivesse uma história mais forte. Mas Max Verstappen nos deu mais uma daquelas improváveis histórias que o esporte produz. Imagine se o moleque de 18 anos ganha sua primeira corrida num carro bom? Sim, isso aconteceu.
São vários os méritos do holandês, que teve de se acostumar rapidamente com diversos procedimentos diferentes em relação a seu antigo carro. Do volante ao próprio jeito de largar, especialmente por se tratar de um motor distinto, foram várias as novidades deste final de semana para o piloto, que já provara ano passado que tem grande capacidade de adaptação.
Em termos de pilotagem, como o carro é melhor, a tendência é que as diferenças entre companheiros seja menor. E, no caso da Red Bull, que Daniel Ricciardo tivesse certa vantagem.
Foi assim por todo o final de semana, até que dois erros colocaram Max em uma posição privilegiada. Primeiro, dos pilotos da Mercedes – mais de Hamilton do que de Rosberg, ainda que a diferença de 17km/h na reta tenha dificultado muito a reação do inglês – e segundo da própria Red Bull, que deu a estratégia obviamente pior para o piloto que estava na frente, provocada pela jogada da Ferrari com Sebastian Vettel.
Por mais que Christian Horner tenha insistido após a prova que a equipe não sabia qual a melhor tática, não é novidade que posição de pista é prioritária no Circuito de Catalunha, famoso pela dificuldade em se ultrapassar. Assim, a partir do momento em que Vettel e Ricciardo deixaram o caminho limpo, o trabalho de Verstappen foi aproveitar o ar limpo e cuidar ao máximo de seus pneus para segurar Raikkonen. O holandês manteve-se calmo, como já havia ocorrido por todo o final de semana, e fez história mais uma vez.
No mais, foi outra oportunidade em que este campeonato mostrou que não há nada de tão errado assim na Fórmula 1 – incríveis 1s2 separaram o terceiro e o 16º colocados na classificação e, no caso da Mercedes, também existe uma disputa acirrada.
Falando em Mercedes, foi interessante entender a dinâmica da batida, uma oportunidade de ver o nível de detalhamento da categoria. O motor tem dois modos principais para serem usados na corrida: o modo de corrida e o modo de largada. Rosberg esqueceu de apertar o botão para usar o modo de corrida e, por isso, não tinha tanta energia disponível na saída da curva 3. Como seu motor estava carregando as baterias, a luz vermelha na traseira acendeu, algo que foi percebido inclusive por Ricciardo, que vinha em terceiro. Foi então que Hamilton tentou se aproveitar e Rosberg, ao mesmo tempo em que fechava a porta, apertou o botão para voltar ao modo de corrida.
Estamos falando em uma questão de segundos entre todos perceberem o que estava acontecendo e decidirem qual a melhor reação. Em uma decisão mais demorada, a FIA optou por não punir ninguém, algo sensato dado que, embora Hamilton já estivesse com o bico do lado de Rosberg quando o alemão fechou a porta, a diferença de 17km/h era significativamente suficiente para dificultar qualquer julgamento.
No final das contas, mais um detalhe que mostra que a F-1 não é brincadeira de criança. De adolescente, talvez.