A notícia de que a Red Bull trocaria o chassi de Sebastian Vettel para o GP da Espanha animou seus torcedores, como se a mudança traria o domínio que o alemão teve nos últimos anos pelo menos em relação ao companheiro de equipe. Porém, ao chegar em Barcelona, o próprio alemão fez questão de baixar as expectativas – e com toda a razão.
Como explicou o ex-diretor técnico da Williams, Mark Gillan, ao blog de James Allen, a troca de chassi ao longo da temporada é corriqueira e serve mais para “remover incertezas”, sobretudo do próprio piloto. Afinal, tão prejudicial quanto um carro ruim é um piloto sem confiança em seu equipamento.
Outra possibilidade é adotar um chassi desenvolvido já com menos peso, como é o caso da Sauber neste final de semana, ou que tenha a possibilidade de usar novidades que o outro não tem. Como o “novo” carro de Vettel na verdade é antigo, tendo sido o primeiro pilotado (não por muitas voltas, é verdade) pelo alemão, ainda na pré-temporada, é bem provável que não seja esse o caso.
O próprio Vettel admitiu que a confiança é o ingrediente principal de sua decisão de trocar de chassi. “Você tenta mudar o máximo de coisas que pode para resetar e tentar novamente. Não é que eu acredite que havia algo errado, é só que eu queria que as coisas começassem do zero novamente para ver o que podemos melhorar. Não estava contente com minha performance”, disse ao TotalRace em Barcelona.
Um piloto dificilmente termina o ano com o chassi com que começou. É comum fazer uma ou duas trocas por ano, que podem acontecer também por acidentes ou outros danos – como aliás, foi o caso de Kimi Raikkonen entre Bahrein e China. “Acho que se você tem corridas em que sente que está abaixo da performance ideal, tenta encontrar algumas respostas. Normalmente nós trocamos de chassi durante o ano e é por isso que ele está mudando para esta corrida”, explicou Ricciardo. “Eu também devo mudar eventualmente, mas as últimas corridas foram boas para mim, então não tenho motivo para fazer isso ainda. Provavelmente é um pouco antes do que ele gostaria, mas usamos pelo menos dois chassis por ano.”
O grande problema de Vettel, segundo o próprio, é que o carro está com a traseira solta demais, algo que não estaria acontecendo com Ricciardo porque o australiano adota um acerto diferente. “Daí você se vê mais tentando corrigir do que buscando tirar mais performance”, queixou-se.
Com ou sem novo/velho chassi, é esperada uma melhor performance da Red Bull em Barcelona, simplesmente pela falta de retas e excesso de curvas de alta velocidade. Com promessas de updates no software da Renault e no combustível, essa expectativa aumenta. Por outro lado, será um bom palco para Vettel testar sua nova máquina no quesito em que está perdendo mais terreno para Ricciardo, o consumo de pneus, pois o Circuito da Catalunha é marcado pelo alto desgaste. Não é a promessa de que os problemas do alemão acabaram, como vimos nesta sexta-feira, é apenas uma tentativa.
