
“Estamos parecendo amadores”. A frase de um Fernando Alonso, irritado após “três ou quatro” alertas para economizar combustível ainda nas voltas iniciais do GP do Canadá foi um prato cheio para quem estava esperando o primeiro deslize para especular que a paciência do espanhol com a McLaren-Honda está prestes a acabar.
Depois da prova, o bicampeão até tentou ver o copo meio cheio e explicou que só reagiu daquela forma porque tinha um plano, iria aproveitar que estava no meio do pelotão para fazer tudo o que podia para segurar a concorrência mesmo com um motor menos potente, e depois economizaria.
Na verdade, deve ter pensado: ‘por que economizar se não vou acabar a corrida mesmo!’. Pelo menos teria motivos para isso. Seu campeonato até agora se assemelha de maneira impressionante com seus primeiros GPs na categoria – 12º, 13º, abandono, abandono, 13º, abandono, contra abandono, 12º, 11º, abandono, abandono, abandono. E, ainda que a expectativa de melhora seja muito mais presente no projeto atual, é o próprio Alonso que não tem mais tempo de ver a abóbora se transformar em carruagem.
Segundo Ron Dennis, este final de semana da Áustria e o próximo serão palco de um grande salto. Difícil é saber de onde ele vem. Muito se especula, mas pouco se sabe exatamente sobre quais são os problemas da McLaren. A imprensa espanhola cogita 60% motor e 40%, enquanto há ingleses que garantem que o chassi é tão bom quanto o Ferrari, pelo menos. É difícil crer nessa teoria, uma vez que a McLaren há tempos não faz um bom projeto aerodinâmico e teve relativamente pouco tempo de pista para desenvolver o modelo inovador que adotou neste ano. Além disso, não é de se ignorar a diáspora de engenheiros que o time teve nos últimos anos, perdendo profissionais principalmente para a Mercedes (levados por Paddy Lowe) e Red Bull.
Ninguém nega, é claro, que a grande fonte de problemas é a unidade de potência, lenta, pouco confiável e muito beberrona. Basicamente, falta muito para os japoneses conseguirem a eficiência de Mercedes e Ferrari na recuperação de energia, o que interfere nestes três setores. E ninguém esconde na equipe que esperava-se que mais soluções tivessem sido encontradas após sete etapas.
Esse cenário desolador, é claro, abre especulações. A aposentadoria de Button no final do ano é dada como certa pelos ingleses, e a ideia de que Alonso poderia apostar em um ano sabático perdeu força com a renovação de Hamilton. O jeito, para ambos, é encarar a vida de ‘amador’ em 2015 e esperar por uma reação que, neste momento, seria surpreendente.