Julianne Cerasoli

Visita desagradável

Deve ter sido doloroso para um número recorde de torcedores no GP da Itália assistir a uma das maiores lavadas da temporada, comparável ao também circuito de alta velocidade de Silverstone. A briga mais apertada do GP da Bélgica deu a impressão de que Monza não seria tão fácil para a Mercedes quanto nos últimos anos, mas o que se viu foi um repeteco das últimas temporadas.

É impressionante e muito reveladora a estatística de que a Mercedes liderou todas as 212 voltas da últimas quatro corridas disputadas em Monza. Todas elas depois da introdução da era V6 turbo híbrida. Ainda que a Ferrari tenha evoluído muito especialmente de 2016 para cá em termos de potência, nenhuma unidade de potência está perto de ser tão eficiente quanto os alemães.

Outra questão trazida pelo regulamento que estreou em 2014 é o excesso de punições. Quando as regras foram definidas, havia uma paranoia em relação aos custos, o que fez com que o desenvolvimento ficasse inicialmente quase todo congelado e fosse determinado um limite bem otimista de unidades de potência por ano, que iria diminuindo ao longo dos anos.

Essa diminuição foi mantida, mas as restrições ao desenvolvimento, não. Isso permite que hoje tenhamos um campeonato, mas também significa que, depois de esperar por horas na chuva, os torcedores viram apenas Lewis Hamilton largando na mesma posição em que se classificou. E quase metade do grid punido.

Isso não deve se repetir em todas as provas até o final do ano, uma vez que Monza é uma das melhores oportunidades de estrear novos motores e levar essas punições, mas é algo que dá o que pensar.

Outro fator que também não deve se repetir na mesma medida é o domínio da Mercedes, pelo menos da maneira como ocorreu em Monza. É bom salientar que Spa e Monza não são exatamente farinha do mesmo saco, pois o primeiro tem todo um setor de curvas de alta e o segundo é basicamente reta, freada forte e tração. Não temos, portanto, outra Monza no calendário, mas as curvas de alta voltarão especialmente em Suzuka e é em relação a este tipo de pista que a Ferrari se animou devido a sua performance na Bélgica.

Muita água passará por debaixo da ponte até chegarmos a Suzuka, inclusive com a possibilidade de outra troca de liderança na próxima etapa, em Cingapura, quando a vantagem deve ficar com a Ferrari em um circuito cujos “irmãos” na temporada são Mônaco e Hungria.

Impossível não mencionar Daniel Ricciardo, o nome do domingo, de longe. A consistência dele ao longo da temporada e maneira como ele consegue ler a corrida, forçando nos momentos e na medida certas, lembra um Alonso quando tinha motor. Em uma versão simpatia pura.

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