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Vitória real

Mais de uma equipe com chance real de vencer, lutas pelas primeiras posições, surpresas. O GP do Bahrein teve um pouco de tudo o que os fãs da Fórmula 1 vinham pedindo. E isso em uma pista que não está entre as que permitem mais ultrapassagens, ainda que tenha sido palco de algumas provas interessantes nos últimos anos.

Isso quer dizer que vai ser sempre assim? Infelizmente, não. Além do fator pista – e o calendário tem na sequência três delas em que as corridas não costumam ser das mais animadas (na Rússia pelo asfalto liso demais, na Espanha pelas curvas de alta e em Mônaco porque não há espaço para muita coisa) – o ritmo lento de Valtteri Bottas no início da prova não só deixou o pelotão mais unido, como também fez com que cada um escolhesse um caminho em termos de estratégia. E como vimos várias vezes nos últimos anos, a variedade de escolhas estratégicas sempre gera bons pegas, porque coloca pilotos com compostos diferentes ou com pneus com mais ou menos voltas dadas.

Porém, independentemente de táticas, o que chamou a atenção foi o ritmo da Ferrari. E nem precisou fazer tanto calor assim. Nos treinos livres, a pista chegou facilmente aos 40ºC, mas na corrida não passou de 30ºC. Perguntei a Hamilton se isso preocupava, pois o calor nem foi tão forte e Vettel claramente teve ritmo superior, e ele se esquivou. “30ºC também é um asfalto quente”. De fato, é, mas é nessa faixa que a maioria das provas do ano serão disputadas. E não com a temperatura da China.

Um tanto perdida com a estratégia, como costuma ser de praxe quando é atacada, a Mercedes ainda teve o problema das pressões erradas no pneu de Bottas no segundo stint, obrigando a uma ordem de equipe que, olhando em retrospecto – e é sempre mais fácil tirar qualquer conclusão depois que a corrida acaba – se tivesse vindo um pouco antes, talvez desse chances de Hamilton lutar, de fato, pela vitória.

Esse talvez tem nome e sobrenome. Durante toda a prova, Vettel pareceu ter um ritmo um pouco melhor que as Mercedes, e isso com ambos os compostos. Depois da corrida da China, era visível a satisfação do piloto alemão, mesmo com o segundo lugar. O motivo é simples: se em Xangai, onde clima e pista teoricamente não favoreciam, ele conseguiu andar próximo de Hamilton, isso só pode querer dizer que a Ferrari está na briga.

Não vai demorar muito para todo mundo focar no GP da Espanha, onde devem chegar os primeiros grandes pacotes aerodinâmicos das equipes. E é aí que um campeonato decisivo, o do desenvolvimento, vai começar de vez.

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