Julianne Cerasoli

Williams sob pressão

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Uma das formas de tentar entender a situação de cada equipe durante os sempre misteriosos testes de pré-temporada é buscar sinais nas reações dos pilotos. Dando entrevistas pouco depois de saírem dos carros, eles geralmente não conseguem esconder frustrações ou surpresas positivas.

No caso da Williams, tais reações deixaram claro que as coisas mudaram significativamente do primeiro para o segundo teste. O temor de Felipe Massa de que a equipe se limitasse a lutar pela sobrevivência como terceira força do campeonato junto de Red Bull e até Force India se transformou em um certo alívio quando a equipe passou a obter tempos mais próximos da Ferrari.

Ainda que a pré-temporada possa mascarar alguns dados, especialmente os tempos feitos com pneus macios – isso porque, devido às baixas temperaturas do asfalto em Barcelona nos testes, os pilotos não conseguiram tirar tudo dos supermacios e dos novos ultramacios – as declarações de ambos os pilotos indicam que a equipe deve começar a temporada mais ou menos onde terminou a última.

Mas isso não significa que o carro não evoluiu nada. A grande mudança, de acordo com o próprio Bottas, é a capacidade de extrair mais rendimento com pneus macios, algo que vinha sendo uma dificuldade da equipe nos últimos anos e demonstra um refinamento aerodinâmico. E conseguir isso mesmo ainda liderando a tabela de velocidades máximas, como vimos Massa fazer nesta semana, é um bom sinal.

Apesar do alívio claro dentro da equipe, isso não quer dizer que a Williams pode relaxar. O ano de 2016 será o mais desafiador para o time desde o crescimento vindo da inteligente troca da Renault pela Mercedes em 2014, que devolveu o time à luta pelas primeiras colocações.

A primeira grande rival deve ser a Red Bull, que mais uma vez demonstra ter um dos melhores chassis do grid e agora parece estar mais contente com o motor Renault. Os franceses, que a partir do momento em que voltaram a ter uma equipe de fábrica, voltaram a investir pesado na F-1, garantem que já melhoraram em 0s5 por volta em relação ao ano passado apenas com o rendimento do motor. E prometem mais 0s5 ao longo da temporada.

A segunda ameaça pode ser a McLaren. A própria Renault diz que a evolução da Honda “é um mistério”. Ninguém sabe até o momento o quanto os japoneses cresceram em relação ao péssimo 2015, mas o fato é que, com o carro permanecendo na pista mais tempo, como vimos na pré-temporada, o nível de desenvolvimento total do conjunto tende a ser maior. E a Williams que se cuide.

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