
Foi impossível não lamentar o furo de pneu de Valtteri Bottas a duas voltas do final do GP do Azerbaijão. Afinal, com uma pilotagem muito precisa, ele foi o único do (então) top 3 que não travou os pneus e saiu da pista em nenhum momento sob condições bem difíceis na já dura Baku, ao mesmo tempo em que fazia os pneus supermacios suportarem 40 voltas. E ainda por cima estava rápido por todo o stint. Sim, se a vitória – e a liderança do campeonato – tivessem ficado com ele, seria pelo SC. Mas da mesma forma, por todos os motivos acima, era ele quem estava nessa posição e não Lewis Hamilton.
Até por isso o inglês fez o generoso gesto de atrasar a cerimônia do pódio para ir falar com o companheiro. Nas últimas duas corridas, ele sabe que foi batido por Bottas, que evoluiu de uma maneira que poucos no paddock previam.
Evolução essa que vem em um carro complicado de pilotar, repetindo um padrão que vimos na primeira metade do ano passado. A Mercedes evoluiu consideravelmente no entendimento de sua máquina ao longo do final de semana no Azerbaijão e, pela reação de Hamilton após a prova, chegou a uma conclusão alarmante: não é só uma questão de adaptação aos pneus, o conjunto no momento simplesmente não é suficientemente forte para ganhar o campeonato. E essas são palavras do próprio líder do campeonato.
Isso talvez explique a calma de Vettel. Ainda que este seja outro traço similar a 2017, quando mesmo na lavada do GP da Itália o alemão só queria ver o lado positivo. Mas agora há também algo de concreto: não há dúvidas de que a Ferrari, no momento, é melhor em classificação. Na corrida, a vantagem diminui, mas ainda existe.
Dito isso, pela segunda corrida seguida Vettel falha em traduzir esse bom momento em pontos. Na China, por um encontro com o furacão Verstappen. Em Baku, por julgar mal a freada com pneus e freios frios. Certamente não é o ideal quando se luta com um piloto consistente como Hamilton.
Falando no furacão, ele parecia determinado a calar os críticos, defendendo-se por boa parte da prova justamente daquele que deu aula de ultrapassagem há duas semanas. Até que os dois arriscaram demais. Ricciardo sabia que perderia pressão aerodinâmica chegando tão perto do companheiro, mas ficou indeciso depois de Verstappen mudar sutilmente de trajetória por duas vezes. Algo que é sua marca, e é extremamente perigoso.
É um dos problemas para a Red Bull resolver. O time não conseguiu mostrar o ritmo dos treinos livres na corrida por um problema de bateria, jogando luz no calcanhar-de-Aquiles que é o complexo motor Renault, o qual só ganhará um upgrade em junho e certamente renderá punições ao longo do ano. Não é por acaso que o time já está de olho em seu futuro: a primeira reunião com a Honda foi em Baku.
Falando em Honda, o GP do Azerbaijão escancarou que parte considerável da falta de velocidade de reta da McLaren tem mesmo a ver com o carro, que produz arrasto em excesso. Enquanto a Red Bull, que mudou de filosofia neste ano, estava no topo da speed trap com o mesmo motor, Alonso e Vandoorne se arrastavam.
A queda da McLaren e da Haas em Baku ajudou, mas nada tira o mérito do final de semana fortíssimo de Charles Leclerc, piloto que será interessante de se observar nas próximas etapas. Depois da classificação ele disse que antes estava tentando acertar o carro de uma maneira que não funciona na F-1.
Seria o monegasco descoberto o caminho das pedras para a Sauber, da mesma forma que a Williams andou muito melhor neste final de semana, ou tudo faria parte da mágica de Baku? Ao ver uma Force India que chegou ao Azerbaijão sonhando com pontos chegar ao pódio, em uma pilotagem muito forte de Sergio Perez nas últimas voltas, não custa perguntar.