Julianne Cerasoli

Expectativa e realidade

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Um piloto pode tentar se mostrar um cara bacana nas mídias sociais, dizer sempre as coisas certas – ou aquelas que tem certeza que os fãs vão gostar de ouvir – buscar os melhores resultados possíveis na pista. Mas é muito difícil controlar a maneira como cada um é visto por seus torcedores e mesmo por quem o cerca.

Fiquei com isso na cabeça após as entrevistas desta quinta-feira em Interlagos. Os perfis são variados. Vimos há duas semanas, no México, como Sergio Perez é celebrado mesmo correndo pela maior parte da carreira por equipes médias – e tendo perdido sua chance na McLaren. Isso tem a ver com o que o país fez até aqui na história da Fórmula 1, tendo tido seus maiores ídolos nos anos 1960. Checo é a válvula de escape por um interesse pelo automobilismo. Será cobrado daqui a alguns anos caso não vingue? Certamente, mas o momento atual se baseia mais em expectativa do que em frustração.

Felipe Massa também passou por isso no Brasil, ainda que com uma carga muito mais alta de obrigação. Isso, pela expectativa natural (nem certa, nem errada, apenas natural) criada após o país se tornar um celeiro de grandes pilotos. Construir uma carreira sólida na maior categoria do automobilismo mundial, apesar de ser algo de grande valia, se tornou alvo de praxe para os brasileiros.

Em outros países, há contrastes interessantes. Valtteri Bottas deixou claro que vem tendo de lidar com a ira dos torcedores finlandeses de Kimi Raikkonen após as duas colisões nas últimas provas. E eles são maioria esmagadora. “As mensagens privadas no Facebook são o pior, é melhor nem olhar”, disse um risonho Bottas. Ao invés de uma transição natural entre um piloto que já conquistou muito, mas está em fim de carreira, e um jovem promissor, o que os finlandeses veem é um ‘garoto novo’ invocado incomodando o campeão do mundo. Conhecendo um pouco a mentalidade de Valtteri, isso é motivo de sobra para ele fazer questão de se manter na frente no campeonato. Com um carro pior.

Na Inglaterra, também é curioso como Lewis Hamilton não consegue atrair o público da mesma forma que Jenson Button, mesmo com todo o sucesso dos últimos anos. Enquanto Jenson é aquele genro com que todo pai sonha, Lewis é personagem polêmico e, ainda que tenha muitos fãs na Inglaterra, soma mais simpatizantes fora de seu país.

Uma das terras em que Hamilton é adorado é justamente no Brasil, onde ele corre neste final de semana em busca da primeira vitória em Interlagos. A ele, até é permitido a ‘licença poética’ de citar Senna em duas a cada três frases, algo que gera implicância em outros casos. Não é a toa que tem muita gente com apenas uma expectativa para este final de semana: ver o inglês no alto do pódio. Uma expectativa real mesmo com todos os entraves de uma semana infernal para o tricampeão? Começamos nesta sexta-feira a descobrir a resposta.

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