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Ganhadores e perdedores do GP de Mônaco e o mundial em gráficos

É impossível ultrapassar em Mônaco? “Não existe esta palavra no meu vocabulário”, dizia Sutil ainda na quinta-feira. Pena que as duas belas manobras do alemão no hairpin foram de certa forma ofuscadas por algumas barbeiragens e exageros.

Romain Grosjean voltou aos velhos em um final de semana horroroso, em que terminou estampando a traseira de Daniel Ricciardo na saída do túnel. O francês se disse surpreendido, pois o australiano freou muito cedo, mas a desculpa não convenceu e Grosjean acabou com uma punição de 10 posições no grid do Canadá.

Pelas proporções do acidente que causou com Pastor Maldonado, ficou barato para Max Chilton, que fez a tangência normal quando sua Marussia estava emparelhada com a Williams. Erro grosseiro e incrível eficiência dos sistemas de segurança da pista e do chassi.

E tivemos Sergio Perez, no limite entre o céu e o inferno. Confesso que não me agrada o estilo de “ultrapassagem por intimidação”, do tipo “vou me jogar aqui e deixo a opção do outro bater ou recolher”. Porém, concordando ou não, faz parte apostar em quanto seus rivais podem arriscar. Afinal, a chance de fazer seu nome se jogando em cima de quem está lutando por objetivos maiores no campeonato é grande. Raikkonen optou por endurecer, o que faz a alegria dos fãs, mas certamente lhe roubou nove pontos importantes.

E esse teste “fantasma”?

Ofuscada, também, ficou a vitória de Nico Rosberg em meio às acusações de favorecimento da Mercedes devido ao teste realizado na surdina pela Pirelli utilizando o carro atual da equipe. Ainda que até os rivais tenham feito questão de ressaltar que o episódio não tem relação direta com o excelente rendimento do W04 em Mônaco, sobram as dúvidas sobre uma história um tanto nebulosa.

Vários pontos precisam ser esclarecidos. Primeiro, A FIA diz que permitiu o teste desde que as demais equipes tivessem a mesma oportunidade, mas ninguém foi avisado de nada. Segundo, os experimentos seriam em compostos para serem usados em 2014, sendo que a Pirelli sequer tem contrato para seguir na categoria. Terceiro, as sessões ocorreram logo depois que a empresa italiana anunciou mudanças nos compostos, gerando a dúvida de que pneus, de fato, estavam à disposição. Quarto, é difícil compreender a opção pela Mercedes, cuja grande dificuldade é prever a interação entre os pneus e seu acerto, para tais testes.

Em um dia de poucos ganhos para a F-1, o mais brincalhão nas entrevistas era Sebastian Vettel, o grande vencedor de Mônaco. Mesmo pilotando com pneus que comparou a “esquis de madeira”, o alemão vem fazendo um campeonato irrepreensível, maximizando as oportunidades em cada prova para ter quase uma vitória de vantagem após seis etapas.

Comprovando que a relação de forças vai depender muito do circuito, a Ferrari deu um passo atrás em Mônaco, enquanto a Lotus não conseguiu tirar proveito de sua melhor capacidade com os pneus em uma prova estrategicamente (e brilhantemente) travada pela Mercedes. Mas este é um assunto para o resto da semana.

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