Drops do paddock – edição GP do México

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A Fórmula 1 tem uma relação de amor e ódio com o GP do México. Ódio pelo trânsito e pelos pequenos detalhes de organização que os mexicanos não conseguiram resolver para esta segunda edição. Os fotógrafos que o digam: o paddock fica do lado da área do estádio, uma das mais fotogênicas da temporada, mas não é possível chegar lá sem dar a volta inteira na pista, algo que poderia ser resolvido com um simples portão de controle de credencial. E o amor? O amor é por todo o resto.

  • Foi interessante ver como ainda é possível manter segredos em uma era na qual a apuração das notícias deu lugar ao desespero de ser o primeiro a publicar um rumor na internet: há semanas soube que o estado de Frank Williams era gravíssimo. Vários colegas também sabiam. Mas a história só se tornou pública com a melhora do dirigente e uma pergunta – pré-arranjada, claro – em uma coletiva oficial da FIA.
  • Falando em segredos, a maneira como Nasr e seu entorno têm lidado com as negociações sobre o futuro não tem sido das melhores. Negar tão veementemente um contato com a Force India que, sabe-se, existe – apesar de estar bem longe de ser algo sacramentado como foi colocado de forma até absurda no Brasil – não é bom para sua imagem no paddock. Sobre a vaga de Hulkenberg, sabe-se que Ecclestone teve uma reunião com Otmar Szafnauer no México para intervir em favor do brasileiro e que haverá uma reunião decisiva entre os dirigentes, incluindo Vijay Mallya, na quinta-feira. E o favorito do diretor técnico, Andrew Green, é Esteban Ocon.
  • Voltando a Nasr, também não é nada bom que a emissora que transmite a categoria em seu país (mesmo que com seus interesses) faça uma acusação tão leviana como a tal história do boicote. Ericsson não é um zero à esquerda e uma equipe que não tem os melhores profissionais, usa procedimentos ultrapassados e é mal gerida erra mais que uma Mercedes da vida.
  • O motorista do Uber comenta sobre a situação do país e me diz que “queria que nós tivéssemos a mesma coragem de vocês”. Tem feito parte do meu trabalho explicar a situação política do Brasil responder perguntas como “agora que a Dilma caiu ela vai para a cadeia?” Tem muita coisa difícil de explicar nessa terra.
  • Voltando ao México em si, a cultura bastante diversa do país é bem explorada pelos organizadores. Na quinta-feira, fizeram uma festa de boas vindas com comidas típicas, mariachis e  aulas de luta livre. Na sexta, as equipes entraram na onda e a Mercedes fez uma festa interna com vários membros da equipe maquiados para o Dia de los Muertos e a Ferrari preparou um frango típico.
  • Mas também há o lado negativo – que não acontece com muito mais frequência do que deveria, diga-se de passagem: duas lentes foram roubadas dos fotógrafos de dentro da sala de imprensa. E ainda na quarta, vindo do aeroporto, um membro da Mercedes foi assaltado dentro do carro.
  • O assalto em si é o tipo de coisa que acontece em cidades como a capital mexicana, mas realizar a corrida dentro de uma metrópole também tem seu lado positivo: a pista fica do lado de uma estação de metrô, a um convidativo preço de 5 pesos, ou 0,85 reais.
  • Alguns de vocês sabem que gosto de correr, a pé, nas pistas ao longo da temporada. Ano passado, a altitude tirou minha coragem de enfrentar o circuito mexicano, mas neste ano resolvi encarar. Mas foi uma corrida com dois pit stops, um improvável: os fiscais pararam a Monisha, que sempre costuma caminhar nas pistas, para uma foto. Fui fazer uma brincadeira com ela e me colocaram para posar para a foto também!

9 comentários sobre “Drops do paddock – edição GP do México

  1. O México é bem similar ao Brasil em muitos aspectos. Mas há grandes vantagens em relação ao trabalho deles e a dedicação.

    E pelo tratamento nas histórias do Nasr, não me surpreenderei se o brasileiro ficar a ver navios com essa postura. (Tanto a dele como a da emissora oficial)

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  2. Jú, em relação ao Felipe, acho tb muito chute em relação ao boicote, mas também não descarto que isso possa acontecer, eles tb pressionam na cara dura o Banco do Brasil pelo patrocínio, que provavelmente será o culpado se caso não ocorra a transferência por qualquer motivo. Mas me conte sobre a sua corrida, é muito mais difícil correr nessa altitude?

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    1. Eu tinha dado um sprint de uns 20m para falar com o Massa algumas horas antes e senti muito, então respeitei bastante e fui bem devagar. Mesmo assim senti que a recuperação foi bem mais lenta e realmente é como se vc puxasse o ar, respirasse, mas não houvesse oxigênio. Fiquei imaginando como é possível que eles deixem ter futebol, que já é uma modalidade bem pesada para o sistema cardiovascular porque os jogadores dão uma série de tiros de intensidade variada, nos 3.600m de La Paz.

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    2. Eu também não acredito em boicote. Para afirmar isso, é preciso de provas, e ninguém as apresentou.

      Mas é preciso colocar os pingos nos “is” em algumas coisas: essa história de que as equipes tem carros iguais só diz respeito às equipes grandes como Mercedes, Red Bull e Ferrari, com orçamentos quase infinitos. Nas pequenas, isso é praticamente impossível de viabilizar, simplesmente porque muitas delas não têm como repor peças a tempo. Quantas hist´órias já ouvimos de pilotos de equipes nanicas que eram solicitados a “não destruir a asa dianteira porque era a única disponível.”? Isso se aplica (com raras exceções, é verdade!) até às equipes grandes: na era Schumacher, a Ferrari costumava iniciar as temporadas com um carro híbrido do ano anterior até a estreia do novo. No Brasil em 2002, apenas Schumacher correu com o carro novo, enquanto Barrichello foi com o híbrido. Quem se lembra do “fantastic job for a number 2 driver”? A Red Bull simplesmente não tinha uma nova asa dianteira reserva, e Webber correu com a antiga.

      Não compro a ideia da Globo de que Nasr está sendo sabotado. Mas também não acredito que os carros sejam exatamente iguais. Depois de praticamente salvar a Sauber da falência com seus patrocinadores suecos, Ericsson passou a andar na frente como nunca antes. Não acho Nasr um bom piloto, mas é difícil entender como ele pode estar atrás de um piloto que o máximo que conseguiu na carreira foi ser 6º colocado na GP2 no seu 4º ano de categoria.

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      1. Entendo seu ponto de vista, porém discordo em partes. Não é impossível que Ericsson esteja melhor que o Nasr, olhando a carreira dos dois na GP2, sim, Ericsson foi pior no geral, porém Felipe sot foi vencer no seu terceiro ano. O que noto nesses dois anos de Sauber, é que Ericsson evoluiu como piloto e o Nasr está estacionado.

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