Fábrica de piloto

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À primeira vista, parece um disparate questionar a contratação de Lance Stroll pela Williams para a próxima temporada. Afinal, o canadense entrou no programa de desenvolvimento de pilotos da Ferrari na pré-adolescência, ganhou os três campeonatos de fórmula que disputou e arrasou a concorrência ano passado, marcando 507 pontos, contra 322 do rival mais próximo, Maximilian Günther.

Isso, no europeu de Fórmula 3, que tem tomado o lugar que deveria ser da GP2 como último degrau de postulantes a uma vaga na Fórmula 1, uma vez que a categoria vencida por Rosberg, Hamilton e Hulkenberg nos primeiros anos hoje se tornou mais um desfile de endinheirados e palco de uma guerra de interesses.

Olhando os números, a escolha de Stroll é perfeita: um garoto talentoso e que, ainda por cima, traz consigo um investimento alto, cujo limite parece não existir. Fala-se em 35 milhões de euros de forma mais oficial, mas as cifras podem chegar a 75 milhões. Nem Pastor Maldonado pagava algo parecido.

O dinheiro em si não é um problema, muito menos no mundo da Fórmula 1. A questão é como a família Stroll vem conseguindo comprar tudo, até mesmo uma carreira. Em todos os campeonatos em que correu, Lance era, na prática, o dono da equipe – o mesmo que aconteceu com Nelsinho Piquet – e, na F-3 Europeia, são fortes os indícios de que até mesmo seus companheiros de equipe tinham como obrigação trabalhar a seu favor.

As notícias que circularam no paddock sobre a preparação/fabricação de Stroll dão conta de que seu pai, um bilionário do setor da moda e apaixonado por automobilismo, sendo inclusive dono de uma das maiores coleções de Ferrari do mundo – onde mesmo Lance começou? – é daqueles ricaços que acham que o dinheiro pode comprar tudo e todos. Além de ter comprado a equipe Prema e colocado todos os melhores mecânicos para trabalhar com o filho, criou o pacto de não agressão com seus companheiros e deu todas as condições de equipamento para que Lance vencesse com facilidade, o que, de fato, aconteceu.

A ideia original era fazer um ano de GP2, mas a confiança de que Lance está preparado para a F-1 é tanta que o plano foi alterado. E se ele não conseguisse o título da F-3 e, assim, não tivesse pontos suficientes para conseguir a superlicença? Papai Stroll conseguiu, com Jean Todt, uma manobra para alterar a pontuação. E se ele chegar muito verde à F-1? Papai Stroll comprou um Williams 2014 e mandou preparar quatro motores Mercedes, além de alugar várias pistas, de Silverstone a Abu Dhabi, para promover um extenso programa de testes. O resultado será algo impensável: desde seu compatriota Jacques Villeneuve, nunca um piloto novato começará uma temporada com tanta quilometragem.

Depois de tentar comprar a Sauber, papai Stroll decidiu colocar dinheiro na Williams, cujo futuro é incerto com a saúde frágil de Frank. A equipe, contudo, não tinha o melhor dos simuladores. O que o magnata fez? Trouxe um equipamento de última geração, usado apenas pelo filho ano passado, pois estava configurado para um carro de F-3.

Agora, o simulador está liberado, também, para Valtteri Bottas. Mas o que mais estará liberado ao finlandês? Sabe-se que Bottas está preocupado com a postura de ‘o dinheiro compra tudo e todos’ da família Stroll e tem tentado se blindar dentro da equipe. Na verdade, o piloto até tentou sair, mas a Williams cobrava muito para liberá-lo, o que emperrou as negociações com a Renault. No final das contas, conseguiu um contrato melhor, mas tem consciência de que é quem mais tem a perder nessa história toda.

Não é tão difícil assim fazer um piloto parecer melhor do que é – principalmente na comparação direta com seu companheiro. Afinal, a disputa na Fórmula 1 ocorre nos detalhes. E no caso de Stroll, vi um comentário dia desses que faz sentido “aqui não foi uma equipe que contratou um piloto, mas um piloto que contratou uma equipe para correr”.

A comparação mais próxima que se pode fazer é do próprio Nelsinho devido à maneira como o brasileiro atuou nas categorias de base. Mas, na Fórmula 1, sabemos bem que a influência do dinheiro dos Piquet era absolutamente inferior – e todo investimento acabou se mostrando ruim para o desenvolvimento do piloto.

Veremos como Stroll aproveita todas as mordomias que teve até aqui, pois as condições estão criadas para que ele já chegue com bons resultados. Seja como for, certo está Bottas em tentar se proteger.

9 comentários sobre “Fábrica de piloto

  1. “Um piloto comprou uma equipe” Bela colocação, mas até onde vai o folego do Papa Stroll caso o seu bebe privilegiado não demonstre resultados ? Sim, Bottas pode ser engolido pelo dinheiro do compatriota, mas casos parecidos ocorreram com endinheirados que nao deram certo. Maldonado, Gutierrez são provas de que nem sempre o dinheiro vai prevalecer por tanto tempo.
    Sinceramente, espero que o Bottas ( que é sim um piloto á altura de Hamilton, Riccardo, Button dentre outros) mostre ao garoto que a F1 nao todo esse deleite que seu papai acabou de lhe comprar.

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    1. Julianne em parte posso até concordar com esse artigo, mas tem um porem ele tem talento a prova é que foi campeão nos carros de formula, Por isso acredito que se a williams fizer um bom carro ele vai se dá bem, O Hamiltom tambem treinou muito antes de chegar a formula 1 e de cara pegou um bicampeão e mesmo assim mostrou seu valor e é tri hoje, e se esse menino provar na williams seu talento e for melhor que Bottas inicialmente vão dizer que é o dinheiro do pai, mas o dinheiro não dirige o carro.

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  2. Não vi nada de ilegal, e o mundo é isso mesmo, ou a mercedes não é top por que tem melhores condicoes trazidas pelo maior investimento? Se o cara tem toda a grana ele pode fazer isso. Sorte dele e do BOTTAS que pode mostrar que é melhor na pista com as mesmas condicoes… ou nao. Bom para a willians bom para a F1 mais uma equipe que pode investir para vencer.

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  3. Brilhante Ju, o Bottas pode partir pra cima do $$ fazendo assim a Williams abrir mão dele por não aceitar ordens dele. Papai $$ logo, logo vai comprar uma boa porcentagem da equipe Williams, ele nunca joga pra perder, sabe usar seu dinheiro para conseguir o que quer.

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  4. Temos que esperar para ver. Segundo o Aucam, o Emerson Fittipaldi falava que conforme você melhora de categoria os carros são mais pesados e potentes e muitos pilotos não conseguem o desempenho das categorias anteriores. Tem que esperar para ver. Mas para ser campeão na F1, só dinheiro não basta.
    O Bottas vai ser uma boa referência sobre a qualidade do Stroll. Pelo menos, a Willians vai ter grana para ser mais competitiva.

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  5. Uau, Ju… Impressionado com toda essa história.
    Sem dúvidas, será mais um atrativo para o ano que vem.
    Mas acho que, com toda a pressão que existe na F1, ele sofrerá bastante, principalmente no primeiro ano.
    Com o dinheiro que tem, mesmo sendo lento e ou mesmo estabanado – tal qual Pator Maldonado – poderá ter uma longa carreira na F1 – se quiser.
    Agora, se ele vai ser campeão ou se vai lutar por títulos, aí já são outros quinhentos…

    Abraços

    Celso

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  6. Motores Mercedes: 4milhões e 800 mil euros (1 milhão e 200 mil cada um aproximadamente).
    Williams 2014: 5 milhões e 200 mil.
    Patrocínio: 75 milhões.
    Ver seu filho na F1: não tem preço.
    Hahaha.
    Não acompanho a F3, ele seria teoricamente, tão inferior ao que fez na categoria? Que os planos de papai Stroll para ver o filhote em um carro vencedor na F1 parecem ser bons. Temos que nos lembrar que o Nelsinho trabalhava pro Alonso, teve o Cingapuragate, saiu pela porta dos fundos…
    Situação totalmente oposta ao filhote Stroll…
    Bjs pras meninas e abraços pros meninos!

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