Turistando na F-1: a Baku verdadeira ou da TV?

Sabe aquele carimbo de passaporte que faz o policial te olhar torto na imigração? É do Azerbaijão. Isso não por qualquer conflito no qual o país possa estar envolvido, mas por estranheza mesmo: o que alguém em sã consciência vai fazer lá?

Para a F-1, a resposta é fácil: trata-se de um dos países mais corruptos do mundo, cujos comandantes pensam alto. O projeto inicial do circuito, inclusive, previa a construção de uma ilha artificial no Mar Cáspio, nos moldes de Dubai. Provavelmente desistiram quando viram o tamanho da conta que tinham de pagar a Bernie só para estarem no calendário.

É estranho você chegar tão longe e se ver tão perto de casa por conta dessa ganância dos governantes e de uma realidade tão diferente nas ruas – pelo menos aquelas que não estão maquiadas para a F-1. Uma colega definiu Baku como o filho bastardo entre o Bahrein e Sochi e, de fato, trata-se de uma cultura com um pé no Oriente Médio, mas que identifico mais com a Turquia, e muita influência russa.

Tudo, é claro, depende da Baku que você consegue ver. Pilotos e equipes amaram a cidade porque os organizadores se certificaram de que amariam, criando uma redoma perfeita: trânsito fechado deste um aeroporto moderno até a parte mais bonita da cidade, e por lá todos ficaram, perto do circuito, entre a orla do mar e a parte mais antiga, lojas de grife e ruas fechadas para pedestres que muito se assemelham às de capitais europeias. Tudo isso com muito sol e muito, mas muito vento, algo que até se tornou o apelido da cidade.

Pena que até mesmo alguns dos prédios ao redor do circuito estejam cobertos por tapumes com fotos de fachadas, ou seja, a maquiagem chega até à zona que seria a melhor da cidade. E a duas quadras dali, o cenário já começa a mudar. É onde, inclusive, os curiosos locais, vestidos de maneira bem simples, se amontoavam ano passado tentando ver uma brechinha da pista, se equilibrando nas guias das ruas.

A parte “para turista ver” é, de fato, interessante. Trata-se de um lugar que foi habitado desde a pré-história e chegou a ser ocupado pelo Império Romano, mas tem mais influências persas e iranianas em seu centro antigo, que é considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Mas após a guerra entre os persas e os russos no século XIX, Baku ficou com o país do norte. Algumas décadas depois o petróleo, que até hoje é a base da economia do país, foi descoberto, atraindo outros povos europeus para a região. Estava explicado o caldeirão que formou a capital do Azerbaijão, que abriga 25% da população.

Dito isso, também é verdade que não é nada fácil encontrar boas rotas de voos para lá que tenham também bons preços e horários, e os hoteis, pelo segundo ano consecutivo, têm tentado cancelar as reservas feitas antecipadamente porque, um mês antes, percebem que elas coincidem com a data da corrida. Para completar o pacote, devo dizer que estar no Azerbaijão é uma das piores experiências que já tive, como mulher, viajando sozinha por esse mundão. Ao lado da Turquia.

Se nada disso te abala, é melhor correr: os preços neste ano já subiram em relação à estreia da F-1 no país. Então talvez seja a hora de correr para ter aquele carimbo de torcer o nariz de agente de imigração.

RAIO-X:

Preços: A passagem pesa e a hospedagem já foi melhor, mas os preços de Baku compensam a diferença. E eles fazem de tudo para garantir a freguesia (escrevo isso lembrando de um karaokê russo de péssimo gosto em que fomos parar porque uma placa dizia que tinha double. Perguntamos até que horas ia e a resposta foi “para vocês, a noite toda!”)

Melhor época: Pode ficar bem frio em Baku, então a melhor época para visitar é no Verão, em que a máxima fica perto dos 30ºC e a mínima, dos 20ºC. Mas dá para pensar em um “verão estendido”, entre abril e setembro.

Por que vale a pena? Gosta de destinos menos convencionais e quer ser tratado como rei pagando razoavelmente pouco?

11 comentários sobre “Turistando na F-1: a Baku verdadeira ou da TV?

      1. Se quiser pode te dar umas aulas de defesa pessoal Julianne!
        Brincadeiras à parte, inacreditável que ocorra esse tipo de coisa.
        Tudo de bom pra você por aí Ju!

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  1. Ouvi no Credencial você falar sobre o assedio na rua e nas relações em geral, e como disseram todos, parabéns pela coragem, nível Amelia Earhart.
    Mas “Pena que até mesmo alguns dos prédios ao redor do circuito estejam cobertos por tapumes com fotos de fachadas, ou seja, a maquiagem chega até à zona que seria a melhor da cidade.”
    Sério?? Ano que vem terá tapume no excesso de recepcionista no hotel também? Ainda estou tentando entender sem ser sarcástico…

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  2. Excelente reportagem! adoro as mais técnicas, mas essas são a cereja do bolo do seu blog! Muito interessantes e sempre bom esse tipo de perspectiva dos eventos da F1 e das cidades. Parabéns!

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  3. Que absurdo! Mas infelizmente essas coisas acontecem. Ano passado eu fui a Interlagos com uma amiga pela primeira vez e alguns caras quando percebiam que estávamos sozinhas aproveitavam pra falar umas gracinhas. Felizmente eram apenas alguns idiotas.

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  4. Infelizmente esse tipo de coisa, desrespeito com as mulheres, acontece com muita frequencia em pais subdesenvlvido. A namorada de um primo levou pedrada no interior da Turquia pq, mesmo se estava com o namorado, teve o “sacrilegio” de estar usando uma blusa que mostrava seus ombros. Todo cuidado é pouco nesse tipo de pais. Infelzimente nào pode se pensar que a gente está no Canadá ou na Suécia.

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