Corridas e análises

O curioso caso de Sebastian Vettel

Sebastian Vettel agora está por tanto tempo na Ferrari quanto Fernando Alonso esteve em Maranello. Ganhou mais, fez mais poles e pódios, mas nunca esteve tão próximo do título quanto o espanhol, em duas oportunidades – 2010 e 2012. É justo dizer também que Vettel pegou a Ferrari mais longe do melhor carro do grid do que Alonso, mas o time, com praticamente todas as peças diferentes da época do espanhol, trabalhou muito melhor para se recuperar de 2015 para cá. E viu seu piloto número 1 errar muito mais.

Não é por acaso que Vettel termina a temporada 2019 muito mais questionado do que começou a de 2015. E olha que, no ano anterior, as performances ruins em comparação com o então companheiro Daniel Ricciardo já tinham servido de alerta.

Vettel tem como sua grande força a administração do ritmo de corrida. O que a equipe precisa que ele faça, ele entrega, unindo velocidade e cuidado com os pneus. E isso era algo que podíamos ver muito mais quando ele conseguia controlar as corridas da ponta, na época da Red Bull.

Isso tem a ver, é claro, com a falta de ritmo de corrida da Ferrari, mas também com o efeito Charles Leclerc: o monegasco foi mais rápido que o tetracampeão aos sábados neste ano, então quando a Ferrari teve a chance de controlar o ritmo da ponta, não foi com ele. Junte-se a isso o fato do racecraft não ser exatamente o ponto mais forte de Seb, e suas fraquezas ficaram mais expostas.

Mas por que Vettel sofreu tando para andar no ritmo de Leclerc neste ano? Pego emprestado um trecho de um texto em que falo sobre o abismo entre Webber e Vettel, de outubro de 2013, pouco antes do alemão conquistar seu tetracampeonato.

“Por que Webber não consegue? Note que os problemas do australiano sempre aumentam quando a Red Bull encontra formas de driblar as restrições do regulamento e usa os gases do escapamento para melhorar a aerodinâmica (temporada 2011 e segundas metades de 2012 e 2013). O piloto não consegue se adaptar a um carro que se comporta de forma contraintuitiva, ao contrário de Vettel.”

Aqueles carros da Red Bull do início da década tinham a traseira muito presa, tanto pelo uso dos gases do escapamento para gerar pressão aerodinâmica, quanto pelas próprias características do motor Renault, que tinha uma dirigibilidade melhor que a dos rivais. E esses dois pontos foram eliminados com o regulamento de 2014.

Não que Vettel não tenha tido ótimas performances desde então, como no GP da Malásia de 2015 (um belo exemplo de uma prova em que ele usou sua melhor qualidade) e neste ano, na Alemanha, numa corrida de recuperação na chuva. Mas, desde que as traseiras dos carros ficaram naturalmente mais soltas, ele vem tendo mais dificuldades que rivais diretos para se adaptar.

Engana-se quem pensa que ele jogou a toalha. A segunda metade deste ano foi uma prova do quanto Vettel está disposto a trabalhar para virar o jogo. Ele e a Ferrari. A confiança dele com o carro foi aumentando na parte final da temporada e isso só não se materializou em resultados porque o carro não foi tão forte – segundo ele, porque os circuitos não permitiam, mas também é possível que seja pelo motor ter “perdido” potência. Resta saber qual será o limite para ele, especialmente sabendo que, em 2021, os carros estarão ainda mais longe em termos de comportamento de sua época dourada da Red Bull.

16 comentários em “O curioso caso de Sebastian Vettel”

  1. Apesar de os números do Vettel nesses cinco anos de Ferrari serem melhores que os do Alonso, não vejo comparações. Por tudo que o Alonso fez e o que o Vettel não fez, há um abismo entre os dois.

  2. Mas, em 2021, os carros não terão a traseira mais com o efeito solo? E assim não teria Vettel um carro mais ao seu gosto?

    Saudações Ju.

  3. Julianne, a respeito do comportamento do carro, seria Leclerc um piloto que se adapta melhor ao estilo do atual carro? Apenas isso explicaria a vantagem dele sobre Seb este ano?

  4. Isso explica a falta de ritmo. Mas as manobras atabalhoadas? O que explicaria? Bater no companheiro de equipe, bater na traseira do Verstappen? Ou mesmo naquele episódio em que jogou o carro em cima de Hamilton?

      1. O Vettel, guardadas as devidas proporções, sofre do mesmo problema que o Massa sofreu, quando a concepção do carro mudou e foi contra o estilo de pilotagem natural de ambos, causando essa queda de rendimento.

  5. Julianne, parabéns pela análise.
    Muito técnica e com resgate de antigas temporadas.
    Sucesso.

    Ah, só um toque: “há tanto tempo”.

  6. Vettel é um baita piloto! Parece ser um cara legal e tem um ótimo relacionamento dentro da Ferrari , parla persino italiano , na boa.

  7. Desculpa Ju , não tenho o costume de discordar de vc , mas Sebastian até hj só bateu Weber e Kimi , foi engolido por Ricciardo e tbm demonstrou menos velocidade que Leclerc , a questão de Vettel está longe de ser o carro traseiro ou o regulamento , se estivesse dividindo a garagem com Kimi , ainda estaria sendo considerado um fora de série e olha que Kimi no seu auge nunca foi lá essas coisas , sempre teve dificuldades contra Massa , Fernando chegou na Ferrari e massacrou os dois , agora se todo mundo que andar mais que Vettel for porque se adotou melhor ao regulamento, a única solução é criar um regulamento exclusivo pro alemão.

  8. Eu não tenho nenhuma dúvida de que se Daniel Ricciardo tivesse chegado a Red Bull em 2010 seria o australiano o tetracampeão mundial hj e vc que vive o padock deve saber que todos os pilotos sabem disso inclusive Seb , pois a diferença entre os dois em 2014 foi muito grande

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