Uma temporada diferente na F-1

Se há uma aposta que já dá para fazer mesmo antes dos carros serem lançados é que se falará muito de 2021 nesta temporada da F1. Desde quando será a hora de colocar a maior parte dos recursos no carro do próximo ano até a movimentação do mercado de pilotos. Nada disso é por acaso: ano que vem a categoria vai enfrentar um desafio completamente novo, com uma grande mudança de regulamento acompanhada de um teto orçamentário.

Tal teto é oficialmente de 175 milhões de dólares, mas com algumas exclusões, como marketing e os principais salários (pilotos + os três mais altos), e por isso estima-se que os times grandes vão gastar pelo menos 250 milhões, caso o teto realmente funcione (sim, porque há quem defenda duas teorias distintas: uma de que é fácil, especialmente para quem também faz o motor em casa, jogar despesas de um lado para o outro; e outra dando conta de que, se a punição não for duríssima, os times vão continuar gastando da mesma maneira).

Mas vamos supor que o tal teto orçamentário realmente funcione: times como Mercedes e Ferrari vão ter que diminuir seus gastos em 20% pelo menos. A Red Bull, um pouco menos. E para o restante, pouco muda.

Voltando um pouco no tempo, em 2014 a Ferrari não se preparou como deveria para a mudança de regras (como, aliás, já havia acontecido em 2009). Nos anos seguintes, gastou os tubos para finalmente chegar no motor da Mercedes, em 2017. Isso não será mais possível com o teto orçamentário.

É com isso em mente que os times já começaram o projeto do carro de 2021 há tempos. Eles costumam organizar os engenheiros em times diferentes (um fica com o carro atual, e o outro com o novo) e, aos poucos, a porcentagem que trabalha no projeto futuro vai ficando maior.

É essa decisão estratégica de quão rapidamente o time de 2021 ficará mais numeroso que será a grande dúvida para os times. Seguindo no exemplo da Ferrari, seria uma bela notícia ir para 2021 tendo saído da fila depois de mais de 10 anos. Mas e se isso significar começar 2021, e logo 2021, com um projeto mais verde que os demais?

Talvez a Red Bull seja a equipe que tenha a resposta mais pronta (e a Toro Rosso, ou Alpha Tauri, pode muito bem agradecer por isso). Com o motor Honda ainda em desenvolvimento (e o regulamento de UPs constante em 2021), é hora de apostar todas as fichas em 2021 (mesmo que eles digam o contrário). Até porque o terceiro lugar entre os construtores eles têm com folga. Mesmo que a McLaren cresça, até mesmo Zak Brown admite que só dá para chegar na luta real por pódios em 2021. Ou seja, é mais um time com grandes chances de mudar o foco antes dos rivais.

No caso da Mercedes, todos os esforços são para ter um início de ano semelhante ao de 2019. E esse seria o pior pesadelo para os rivais, pois significaria que o time prateado focaria mais cedo no projeto novo.

Outros não podem se dar ao luxo de pensar muito em 2021 no momento. A Haas tem de fortalecer seu sistema de simulação e seu corpo técnico, já que o chassi é terceirizado; a Alfa vai entrar agora numa fase de descobertas com seu novo simulador, e precisa calibrar a correlação com a pista primeiro, e depois focar em 2021. A Renault precisa convencer o board de que vale a pena investir – ainda mais agora que o teto orçamentário está bem no nível do que os franceses têm usado nos últimos anos. A Racing Point terá a dura tarefa de faz um carro e desenvolver o outro ao mesmo tempo que investe em uma nova fábrica, que só deve ficar pronta no fim do ano. E a Williams, bem… pelo menos 2019 foi um ano em que o time finalmente conseguiu desenvolver seu carro, uma boa notícia para quem, desde 2014, vinha colocando peças que acabavam não surtindo efeito, e terminando os campeonatos pior do que começou.

Enquanto os diretores técnicos quebram a cabeça, os chefes de equipe estarão cheios dos “contatinhos”. Poucos pilotos – Verstappen, Leclerc, Ocon e Perez me vêm à cabeça – têm contrato para 2021, o que significa que quatro das seis vagas nos times de ponta começam o ano indefinidas para a próxima temporada. Por isso, espera-se que os rumores se iniciem mais cedo – no máximo, em Mônaco, GP que é visto pelos italianos como o de ultimato para Vettel – e garantam nossa diversão antes mesmo de os carros irem para a pista.

1 comentário Adicione o seu

  1. Marcio Ventura disse:

    A questão é que o teto só vale a partir de janeiro de 21, assim, as equipes vão gastar o que quiserem em 2020 para desenvolver seus carros para 21. Pode até ser que em dois ou três anos haja um melhor equilibrio, mas acho que para 21 seja difícil.

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