Estratégia de um GP “engessado” pela chuva (que não veio) e SC

LAT Images

Alguns fatores contribuíram para o GP da Bélgica ser menos movimentado do que o normal, desde a expectativa de chuva, que fez muitos times optarem por suas asas maiores, o que acabou diminuindo as chances de ultrapassagens no final da reta Kemmel – quem tinha mais velocidade de reta lá na frente, a Renault, não era veloz o suficiente para incomodar o top 3 – até o Safety Car no pior momento possível.

Digo isso porque a estratégia mais rápida era largar com os macios e parar perto da volta 18 e ir com médios até o final. O contrário – médio/macio, escolhido pelo top 3 e que dava mais flexibilidade de esperar pela chuva (que mais uma vez só veio 1h30 depois da corrida) – era bastante parecido.

Mas ninguém conseguiu seguir o melhor plano, depois que um acidente na volta 10 levou o Safety Car à pista. Economizando perto de 12s ao parar com a corrida neutralizada quase todos os pilotos foram aos boxes neste momento, e colocar os pneus duros era a melhor opção, já que havia 30 voltas, ou seja, mais da metade de uma corrida de 44, pela frente.

E isso, é claro, comprometeu seriamente o ritmo que seria adotado e neutralizou qualquer chance de disputa na ponta. 

Havia, ainda, outros dois motivos principalmente para os carros mais rápidos não arriscarem atacar. Uma bandeira vermelha causada por detritos atrapalhou a simulação de corrida mais significativa, no final do segundo treino livre, e a maioria dos pilotos fez quatro voltas, parou, e fez outras quatro. E poucos tinham usado o pneu duro, uma vez que a melhor estratégia era combinar médio e macio. Além disso, várias equipes pareceram optar por tirar asa entre a sexta e a classificação/corrida, uma vez que a vantagem absurda da Renault diminuiu bastante, e isso muda o comportamento dos carros.

Por conta disso e com o pano de fundo do que aconteceu no GP da Grã-Bretanha, outro circuito que coloca muita energia lateral nos pneus – ainda que mais do que em Spa – quando os pilotos foram obrigados por um Safety Car a fazer mais voltas do que seria indicado com o mesmo jogo de pneus, a ordem após as paradas foi segurar o ritmo. Tanto que, depois de Hamilton dar uma volta no quarto colocado na Espanha, todos completaram as 44 voltas da prova. Sim, a pista é mais longa e o SC ficou na pista até a volta 15, mas ano passado Charles Leclerc deu uma volta em seis pilotos e, mesmo que os carros deste ano sejam mais rápidos (com exceção da Ferrari, claro), a corrida foi um pouco mais lenta (lembrando que em 2019 também houve um SC de quatro voltas).

Dentro de todo esse contexto, foram poucos os pilotos que fizeram algo diferente. Charles Leclerc foi o único a largar com um jogo de macios novo e se deu bem, pulando de 12º para 8º na primeira volta, mas a Ferrari poderia ter tentado qualquer estratégia no domingo que terminaria fora dos pontos, devido a sua falta de velocidade de reta. A equipe explicou que colocou Leclerc com macios e Vettel com médios no começo simplesmente para dividir as estratégias e tentar algo diferente, mas o SC neutralizou as opções e um problema no sistema de válvulas pneumáticas obrigou Leclerc a parar uma segunda vez.

Já a Red Bull teve de arriscar com Albon, que não conseguiria passar as Renault, muito mais rápidas de reta, na pista, e muito menos replicando a estratégia dos rivais. Colocou médios e isso vinha funcionando para ele superar Ocon até a última volta. Pelo menos o tailandês parece ter brigado menos, e pilotado mais o carro neste fim de semana.

Outro que tentou algo diferente depois de ter perdido terreno nas primeiras voltas foi Sergio Perez. Ele optou tentar ficar na pista com os pneus macios depois do Safety Car e foi engolido pelos rivais. Em uma pista em que não é difícil ultrapassar, não dá para entender direito a aposta.

Outro que não parou foi Pierre Gasly, único que tinha largado com os pneus duros. Sua estratégia só tinha um ponto fraco: a corrida não poderia ter Safety Car entre as voltas 8 e 20, ou seja, quando todos parariam para colocar os duros e ir até o final (antes da 8, ou os pilotos não entrariam no box, ou se comprometeriam a duas paradas e, depois da volta 20, o próprio Gasly pararia e colocaria os médios ou até os macios dependendo da volta). O fato dele ter conseguido voltar à oitava posição em que estava quando saiu o SC só evidencia o quão boa foi a corrida dele.

Será interessante ver o que os times farão em termos de configuração de asa na Itália, agora sem previsão de chuva para o final de semana. A Mercedes correu riscos com sua decisão de priorizar o downforce em Spa, e é de se duvidar que a Red Bull vai dar a mesma brecha duas vezes.

3 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Monza, que não vai ter publico nas bancadas, nem aquele colorido tão típico no final da corrida-
    Espera-se mais uma vitória da Mercedes e de Hamilton. Ver o que Verstappen consegue fazer para contrariar a superioridade dos carros alemães e também o que nos reserva a Ferrari, se vai ter outra corrida lastimável como no passado domingo, ou se vai dar uma alegria ao seus adeptos, o que é bastante improvável.

    cumprmentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  2. Luiz Onofri disse:

    Julianne, tudo bem?
    Uma perguntinha de quem não conhece a fundo o regulamento.
    Essa “injeção” de ar comprimido no carro do Leclerc é legal?
    Não é o caso de completar fluídos, como água ou óleo?
    Li no Motorsport que é normal e quetais.
    É isso?
    Obrigado,
    Luiz

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    1. É para o motor não quebrar e ele perdeu tempo com isso, então não há nenhuma vantagem quando o time faz isso

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