Drops dos bastidores do GP da Rússia e os temores da Mercedes

A opção tática de trocar a unidade de potência de Valtteri Bottas para que ele pudesse marcar de perto o que Max Verstappen fizesse (sem sucesso, no final das contas) é a ponta do iceberg do que a Mercedes tem feito fora das pistas para tentar bater a Red Bull. Não é por acaso que praticamente todas as diretivas técnicas (que são como se fossem medidas provisórias ao regulamento), como os testes mais severos das asas traseiras e a mudança nas paradas nos boxes, têm tido como um alvo comum. Sem desenvolver o carro e entendendo que está em desvantagem, os heptacampeões estão tentando fazer o que podem, estudando minuciosamente as regras e o que o adversário está fazendo com elas.

Eles, inclusive, fizeram mistério antes da prova em relação a uma possível troca de motor de Hamilton. É curioso que ele não está em uma situação tranquila em relação a sua alocação até o final do ano mesmo não tendo tido problemas (eles perderam um motor já no fim da sua vida útil em Zandvoort) e não seria surpresa ver uma troca (e punição) em Istambul.

Explico: o motor Mercedes perde muita potência ao longo de sua vida útil. Esse, na verdade, era um problema que a Honda tinha, e resolveu. Além disso, os motores Mercedes nunca tiveram de ser tão forçados ao longo de seu ciclo, justamente porque a equipe nunca teve um rival tão forte por tanto tempo. Com a Ferrari, eles conseguiram ir melhorando o carro e nesta fase do campeonato já eram superiores, e neste ano o desenvolvimento foi, claro, muito lento porque o foco é em 2022. Então há o temor real de que Hamilton tenha uma quebra e a certeza de que os dois motores que ele tem não estão mais com a potência total.

O inglês teve uma baita jornada ao longo do fim de semana, da chegada cheia de empatia por Verstappen na quinta-feira, aproveitando o apoio que teve depois do acidente de Monza, passando pela decepção consigo mesmo da sexta, quando derrubou o mecânico com seu freio mágico, e principalmente após o erro na classificação. Dava para sentir a incredulidade de Lewis quando ele dava entrevistas enquanto via o replay do toque no pitwall. O semblante, claro, mudou completamente com a vitória, um alívio depois de uma corrida que vinha se desenhando complicada.

Enquanto Hamilton emanava positividade após a corrida, Norris segurava para não chorar, principalmente depois de ser informado que estava sob investigação. Curiosamente, ele tinha falado no sábado sobre o conflito interno que sentiu durante a classificação imaginando o quanto pilotos como Hamilton e Russell estavam arriscando, sem saber se ele estava passando ou não do limite. É algo que deve martelar na sua cabeça especialmente depois da oportunidade perdida em Spa. Aliás, antes da decepção do domingo, vi um momento legal, de Damon Hill parando para tirar uma foto de Lando enquanto ele dava entrevistas. Como se fosse um tiete.

No mesmo lugar em que, ano passado, a F1 registrou o maior número de casos de covid na volta para casa, neste ano havia mais cuidado por parte das autoridades nas arquibancadas (com o público restrito a 50% e apenas vacinados), mas várias máscaras apoiadas logo abaixo do nariz e bolhas sendo quebradas. Nikita foi um que circulou bastante, sendo o convidado de honra de um jantar de umas 20 pessoas na sexta e o dono de uma festa que contou com outros membros do paddock no sábado.

Simpático em casa, Nikita até distribuiu chás para os jornalistas da sala de imprensa. Estava sorridente no começo do fim de semana. Um pouco menos no final quando, assim como vários pilotos, ficou olhando a tela com o resultado e a repetição dos melhores momentos para tentar entender direito o que aconteceu.

Já seu companheiro Mick tentou atrair um dos cachorros vira-lata que andavam na pista na quinta-feira para levar pra casa, e ficou decepcionado por não ter comida para tentar, digamos, fazer amizade. É de família essa coisa dos Schumacher e os vira-latas – para quem não lembra, seus pais adotaram um cachorro no Brasil. E ele já disse algumas vezes que quer visitar algum abrigo quando estiver no país para seguir o mesmo caminho.

Ah, e teve uma cena engraçada em um dos restaurantes do hotel preferido dos pilotos em Sochi: Max Verstappen foi perguntar sobre uma mesa que estaria reservada em seu nome. “Como você chama?”, ouviu. Todos os que o acompanhavam riram discretamente, mas ele não se abalou. Deu o nome, número de quarto, e a hostess continuava irredutível. “Não tem nenhuma reserva neste nome”. O mal entendido acabou quando Max avistou seu empresário já na tal mesa que estava mesmo reservada. Mas a funcionária do restaurante provavelmente até agora não sabe que estava perguntando o nome de um possível futuro campeão do mundo de F1.

1 comentário Adicione o seu

  1. Bruno S. disse:

    Quem sabe ano que vem a mesa “esteja reservada”!! kkkkk

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