Guia do GP de Mônaco

A maneira tradicional de prever quem estará melhor no GP de Mônaco é observar o rendimento do último setor na pista de Barcelona, de tão travada que aquele trecho é. No entanto, às vezes os pneus podem mascarar um pouco esta análise, pois o carro pode não render bem no setor 3 na Espanha por estar acima da janela de funcionamento. De qualquer maneira, é um bom começo.

Falando em pneus, quem geralmente sofre com superaquecimento, tem um fim de semana tranquilo em Mônaco. Quem não consegue colocá-los na temperatura ideal tem um pouco mais de trabalho, mas eles não são uma peça tão fundamental quanto em outros GPs.

Ir bem em Mônaco é uma questão de ir entrando no ritmo aos poucos, sem fazer grandes revoluções no acerto, sem tentar encontrar o limite logo de cara. É ir construindo a confiança até aqueles minutos finais do Q3 na classificação.

É na compreensão de que é preciso construir uma simbiose entre você, o carro e cada muro e ondulação da pista (cujo nível de aderência vai aumentando bastante a cada volta) que o piloto faz a diferença em Mônaco.

Conquistando a pole ou um bom resultado para sua equipe, é meio caminho andado para a glória no domingo. Quem largou na frente ganhou mais de 45% das corridas por lá. Caso contrário, as chances de recuperação não são das maiores.

gp de mônaco

Como acertar o carro para o GP de Mônaco

Quando você projeta o carro, já dá para ter uma boa ideia se ele vai se dar bem nas ruas de Mônaco, de tão específico que o circuito é. E não tem muito o que você possa fazer aerodinamicamente para mudar isso: é a mecânica que vai fazer a diferença.

É claro que você vai colocar a maior asa que tiver, e vai haver um nível máximo de downforce para seu carro que pode ser menor que o de seu rival. E não há muito o que você possa fazer quando esse é o caso. O jeito é somar os pontos em Mônaco e aproveitar quando isso vai ser vantagem, como em Monza, por exemplo.

Você também vai amaciar as suspensões, deixar o carro se movimentar o máximo possível, porque seu piloto vai atacar as zebras. E vai beliscar o muro algumas vezes. O ângulo do volante será maior, ou não dá para fazer o hairpin do Fairmont.

O carro precisa não só apontar para a curva com agilidade, mas girar com agilidade. Além disso, a tração é fundamental, ou seja, a aderência mecânica conta muito.

Ultrapassagens no GP de Mônaco

Não é exatamente a turbulência que dificulta as ultrapassagens em Mônaco, então não é de se esperar uma revolução na maneira como a corrida do Principado sempre foi disputada porque a F1 tem novas regras.

Simplesmente, não há espaço. Não havendo espaço, o piloto acaba ficando por muito tempo atrás do outro, e tudo vai superaquecendo, até que ele tem de se afastar um pouco. Basicamente, você só passa se o rival deixar a porta aberta. E acidentes acontecem quando os pilotos veem uma porta aberta e ela na verdade era só uma fresta.

Já vimos ultrapassagens em vários cantos em Mônaco, mas o ponto principal é na saída do túnel. Ano passado, a única ultrapassagem do GP foi no hairpin. Tentativas na Ste Devote e na Rascasse podem dar certo, mas precisam de um pouco de colaboração da outra parte. Caso contrário, o muro está lá para servir de testemunha.

Notas de Estratégia

A estratégia para o GP de Mônaco tem uma regra: posição de pista. Como é muito difícil ultrapassar (em 2019, foram duas ultrapassagens tirando após a primeira volta, em uma temporada com 36 manobras em média; em 2021, uma), vale mais a pena ficar lento na pista e parar só uma vez do que tentar qualquer outro tipo de tática.

Já vimos corridas estrategicamente mais variadas por lá quando os pneus se desgastavam mais. Um exemplo clássico foi a batalha de 2011, com Vettel com duas paradas, Alonso com três e Button com quatro separados por menos de 2s5 no final. Mas quem ganhou? Vettel, que optou em focar em posição de pista, ou seja, em parar o mínimo de vezes possível.

Em outro exemplo mais recente, Lewis Hamilton mal conseguia fazer o carro virar nas últimas voltas, mas conseguiu segurar Max Verstappen com pneus de 67 voltas.

Photo: Wolfgang Wilhelm

Isso aconteceu por conta de um SC, que aparece em 80% das corridas em Mônaco. Claro que tudo depende do momento em que a corrida é neutralizada, mas ele tem mais chance de jogar a favor de estratégias em que se faz a primeira metade da corrida com menos mais duros. Isso porque estes pilotos podem esperar por mais tempo na pista e aproveitar a interrupção para economizar cerca de 10s com a parada.

Como foi o GP de 2021

Era uma prova que se desenhava de maneira diferente quando as duas Ferrari vinham trocando setores roxos no final do Q3, mas Leclerc bateu, confirmou sua pole position provisória com isso, e de quebra impediu que Carlos Sainz melhorasse seu tempo. Pior, a Ferrari não percebeu que uma peça do outro lado do carro tinha se quebrado, e Leclerc não largou.

Então a pole ficou com Max Verstappen, que desta vez não tinha Lewis Hamilton no seu encalce. O inglês não se encontrou com o carro por todo o fim de semana. Verstappen só controlou o ritmo para não correr o risco de levar um undercut e venceu. Sainz foi o segundo e Norris, se valendo da dificuldade de se passar em Mônaco, conseguiu segurar Perez para completar o pódio.

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2 Comments

  1. Percival Bandeira disse:

    Suas colocações são sempre em lúcidas, virei seu fã
    Obrigado

  2. Rodrigo Rocha disse:

    Eu tenho criticado bastante o Mazepin, mas você acha que essa dificuldade dele com as bandeiras azuis se deve a talento/adaptação ou simplesmente é desprezo pelos rivais?

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