Corridas e análises

Análise do GP do Canadá e as escolhas de Verstappen e Sainz

O GP do Canadá foi uma daquelas corridas cheias de escolhas complicadas para pilotos e equipes. Voltando a um circuito depois de três anos, as simulações de corrida foram feitas com a pista mais quente na sexta-feira. Depois, o circuito foi lavado no sábado, e essa chuva já obrigou algumas decisões a serem tomadas. E, no domingo, o sol voltou, mas o asfalto estava verde.

Durante a corrida, as escolhas continuaram. A expectativa era de uma prova com uma parada. Mas o asfalto verde logo começou a cobrar seu preço com o graining visto nos pneus médios em alguns carros logo no começo da corrida. A partir daí, a tática ficou mais dividida entre uma parada com muita administração para quem não tinha graining, ou duas, de preferência, aproveitando períodos de SC ou VSC. 

Graining obrigou Verstappen a parar cedo

O primeiro deles veio logo na volta nove e Verstappen, que já reclamava dos pneus, aproveitou para economizar cerca de 7s ao trocar seus pneus com a corrida neutralizada. Sem sofrer com o graining, Carlos Sainz continuou na pista, assim como a maioria dos pilotos no top 10, a não ser Lewis Hamilton. Falando em opções, o inglês tinha escolhido usar menos asa na corrida, e por conta disso se surpreendeu com o quarto lugar no grid. Afinal, tal opção seria melhor para a pista seca do domingo do que a molhada do sábado. Nesse ponto da prova, ele estava chegando em Fernando Alonso, que saíra da segunda posição, mas fora facilmente superado por Sainz.

Verstappen e Sainz eram os únicos pilotos de Red Bull e Ferrari brigando na ponta porque a chuva fez de Sergio Perez uma vítima e o mexicano só largou em 13º. Foi ele o causador do primeiro VSC, por uma quebra de câmbio. Já Leclerc tinha largado em penúltimo após a Ferrari optar por trocar sua unidade de potência duas vezes, para que ele tenha um respiro nas próximas provas.

Com a parada de Verstappen, ele parecia em vantagem, a não ser que Sainz também tivesse um pit stop sob VSC. E isso aconteceu na volta 19, após uma quebra de Mick Schumacher. Sainz tinha passado da entrada dos pits e acabou parando no giro seguinte, saindo já quando o VSC estava terminando. Ainda assim, conseguiu sair entre Verstappen, líder novamente, e Hamilton.

Alonso não teve tanta sorte. Ele recebeu o chamado para entrar quando tinha acabado de passar da entrada do pitlane e não pôde parar. Seria apenas um dos problemas do espanhol, que não teve toda a potência do motor disponível pela suspeita de um vazamento de ar. Um pouco mais atrás, quase todos os pilotos pararam, a não ser aqueles que tinham largado com o pneu duro. 

Leclerc no trenzinho de DRS

Charles Leclerc era um deles, adotando a tática de tentar usar o ritmo do carro com pista livre depois que todos parassem para recuperar terreno. O problema é que, com os dois VSC, o pelotão acabou se misturando e Leclerc não teve essa pista livre por muito tempo. Na verdade, ele ficaria por boa parte da prova travado em trenzinhos de DRS, quando mais de um piloto pode ativar o dispositivo ao mesmo tempo e ninguém passa ninguém, e ainda assim terminaria em quinto.

Após o segundo VSC, a situação da briga pela vitória era a seguinte. Verstappen tinha pneus com 10 voltas a mais e estava 9s à frente de Sainz. O holandês estava comprometido a fazer duas paradas depois de ter trocado os pneus tão cedo. Então, o jogo se inverteria no final, com Max perseguindo um Carlos que potencialmente estaria sofrendo com seus pneus.

A Red Bull chamou seu piloto ao box na volta 43. Ele voltou 10s atrás, com 27 voltas para o final. Sainz acredita que poderia se manter na casa dos 1min17 baixo até o final da prova e que, assim, venceria a prova. Já a Red Bull garante que todos os seus modelos de simulação apontam que Verstappen não só passaria Sainz, como o faria com 10 voltas para o final.

Ficamos sem saber o que realmente aconteceria. Logo depois de ser avisado que estava em sua janela de SC, ou seja, se saísse um carro de segurança, ele pararia, Yuki Tsunoda perdeu o carro na saída dos boxes e causou a neutralização da prova. 

Sainz no ataque no GP do Canadá

Sainz entrou e os papéis se inverteram mais uma vez, com o espanhol usando pneus seis voltas mais novos e tendo 16 voltas para atacar. Ele sempre esteve na zona de DRS de Verstappen, mas em momento algum esteve perto o suficiente para tentar a manobra. Max parecia ter vantagem logo antes do hairpin e Carlos não tinha tanta velocidade de reta que o rival devido a uma escolha feita no sábado, de usar mais carga aerodinâmica por causa da chuva. Ele ainda tentou usar estratégias diferentes com a energia elétrica do motor. Mas o líder do campeonato parecia ter uma resposta para tudo, em mais uma corrida bem calculada.

Mercedes no pódio no GP do Canadá

No final, os dois chegaram separados por menos de um segundo, com as duas Mercedes logo atrás. Hamilton voltou ao pódio após oito etapas, enquanto Russell não teve a estratégia otimizada para o carro alemão por não ter podido parar junto do companheiro no primeiro VSC, uma vez que perderia muito tempo. Como de costume, quando o rendimento de dois companheiros é semelhante, largar atrás acaba gerando uma série de pequenos obstáculos a mais no domingo. 

As duas Alpine também pontuaram, com Ocon em sexto e Alonso em nono após uma punição por ter trocado de direção mais de uma vez na disputa com Valtteri Bottas. O finlandês foi sétimo, logo à frente de seu companheiro e um dos nomes do fim de semana, Guanyu Zhou, estreante sob condições difíceis em Montreal. E Lance Stroll beliscou um pontinho em casa.

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