F1 Afinal, para que serve o piloto de testes? - Julianne Cerasoli Skip to content

Afinal, para que serve o piloto de testes?

Faz mais de 15 anos que a Fórmula 1 não tem mais testes ilimitados durante a temporada, mas uma vaga que prometia ficar obsoleta continua sendo uma arma fundamental para as equipes: a de piloto de testes. Mesmo ganhando muitas vezes a denominação de ‘piloto de desenvolvimento’, ainda é justo usar o termo antigo. Aliás, testar, mesmo que na grande maioria das vezes não na pista, é o que ele faz.

Mas para que serve o piloto de testes hoje em dia? Lembre-se das vezes em que uma equipe parecia mal na sexta-feira e apareceu arrasando no sábado. Os mais simplistas podem dizer que eles estavam “escondendo o jogo”, mas não é isso.

Certamente houve um trabalho extenso de análise dos engenheiros de pista, que entregaram essas informações para a fábrica que, por sua vez, colocou o piloto de testes no simulador para experimentar as soluções pensadas. Para então fazer mudanças no acerto do carro ou até mesmo confirmar se vale a pena ou não colocar aquela peça nova que o time levou para aquela etapa.

É por isso que as equipes têm cada vez mais apostado em pilotos que não estarão na ativa durante os finais de semana de corrida para esta vaga, uma vez que eles teriam disponibilidade de passar uma madrugada inteira de sexta-feira, por exemplo, no simulador, se necessário. 

E existe uma mescla de níveis de experiência destes pilotos, e isso é importante. Você tem os Anthony Davidson, os Stoffel Vandoorne, que têm muita bagagem acumulada. Mas também tem pilotos que estão se preparando para entrar na F1 ou orbitando as equipes por uma vaga, como fez Felipe Drugovich por anos na Aston Martin.

Porque esta é outra faceta do tal piloto de desenvolvimento/testes: tornando-o parte da equipe de alguma forma, o piloto evolui. Falei com Norris e Russell a respeito logo que eles entraram na F1, e ambos destacaram como é diferente e até chocante para os jovens chegarem em uma equipe de Fórmula 1, tendo de se reportar a várias pessoas ao invés de apenas seu engenheiro de pista, o que os obriga a ter uma informação bem mais precisa. “Não dá para destacar um ponto que é mais importante, mas eu diria que são várias pequenas coisas que, quando se juntam, fazem sentido e te tornam um piloto melhor”, resumiu Norris.

Do lado das equipes, elas passam a conhecer melhor os jovens pilotos e, como Russell, Norris e Piastri provaram, mesmo sem testes, ser piloto de testes é uma das melhores ‘escolas’ para chegar na F1.

6 Comments

  1. Caramba. Eu realmente pensei que a atuação do piloto de testes tenha ficado muito limitada durante este período.

  2. Bem interessante. Nunca tinha imaginado o tamanho da importância de um piloto de testes.
    Mas, e quanto a salário? É possível que receba igual ou maior que um piloto titular (daqueles de equipe pequena)?

      • Acho que ele quis comparar, por exemplo, o salário do Russel na Williams com o Ocon na Mercedes.

        • Exatamente isso.


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