À primeira impressão, Kimi Antonelli deu sorte com o Safety Car para vencer uma corrida que começou de maneira desastrosa, com o italiano caindo da pole position para a sexta colocação nos primeiros metros do GP do Japão. Olhando mais de perto, parecia vir dele a maior ameaça às aspirações de Oscar Piastri fazer frente à Mercedes em sua primeira corrida de verdade no ano.
Quick start reactions in Japan from Piastri and Leclerc 🏎️💨#F1 #JapaneseGP @awscloud pic.twitter.com/c5L64TC3tO
— Formula 1 (@F1) March 30, 2026
Depois de sequer largar na Austrália e na China, Piastri, que saiu do terceiro lugar, se viu na ponta da corrida após duas largadas ruins das Mercedes. Atrás dele vinha Leclerc, Norris, Russell, Hamilton e Antonelli.
Russell trava atrás de Piastri
O italiano logo passou o inglês, mas ficou travado atrás de Norris, no que indicava o que estava por vir. Demoraria 8 voltas para o piloto da Mercedes superar quem tinha o mesmo motor que ele, enquanto Russell vivia o mesmo drama com Piastri, depois de demorar só quatro voltas para se colocar em segundo lugar.
É claro que a Mercedes não tinha perdido seu ritmo. Mas disputar posição com um carro com o mesmo motor estava provando ser um desafio mais complicado do que disputar com as Ferrari, que têm características diferentes – sendo melhores nas curvas, piores nas retas. O superclipping estava acontecendo em momentos semelhantes, e era preciso pensar muito bem onde usar o boost para não fazer uma ultrapassagem sem sentido nenhum, como Russell percebeu ao cair na ‘armadilha’ de Piastri, ultrapassando-o na chicane só para ser superado logo depois.
E, pior para a Mercedes, lá pela volta 13, Piastri consegue se livrar da zona de ultrapassagem de Russell, que perde o 0.5MJ a mais de recuperação e não consegue recuperar.
Uma corrida quase normal
Temendo que a Mercedes tente um undercut e volte para uma maneira mais tradicional de recuperar a posição, Piastri troca os médios pelos duros na volta 18. O plano para Russell, então, é estender ao máximo o primeiro stint e ter pneus bem mais novos para atacar no final.
Mas isso não seria possível. Leclerc tinha parado para responder ao pitstop antecipado de Norris, que tentava um undercut, e voltara muito rápido. Logo, se Russell demorasse muito a parar, voltaria atrás dele, então o inglês foi chamado aos boxes na volta 21.
Ele não era mais a única ameaça à liderança de Piastri porque Antonelli tinha recuperado quase todo o tempo perdido na primeira fase da prova e estava a apenas 2s de Russell. Nas poucas voltas em que os dois tiveram pista livre, ele vinha bem mais rápido que o companheiro – e ainda não tinha parado, o que seria crucial para sua corrida.
Isso porque o acidente que os pilotos vinham alertando que seria uma questão de tempo aconteceu: Ollie Bearman sabia que chegava em determinada parte do circuito 20km/h mais rápido que Franco Colapinto, pela diferente estratégia de uso de energia de seus motores, e usou o boost para tentar ultrapassar. Porém, ele acabou surpreendido pela diferença de velocidade para a Alpine, colocou uma roda na grama, e virou passageiro.
Vida de Antonelli fica mais fácil
Isso trouxe o Safety Car que transformou a corrida de Antonelli de uma chance de vitória a uma conquista quase certa: último dos ponteiros a parar, ele aproveitaria o pit stop “de graça” e voltaria na ponta.
Agora, o melhor conjunto do fim de semana estava em primeiro, e não há gerenciamento de energia que possa mudar essa história. Antonelli escaparia na ponta para vencer pela segunda vez na carreira e assumir a liderança do campeonato aos 19 anos.
Em segundo, Piastri também teria um resto de tarde tranquilo: sua grande ameaça, Russell, perdeu a terceira posição para Hamilton na relargada, logo mais perdeu também para Leclerc (depois de um erro no software que comanda a energia).
Lewis 🔀 George 🤯
— Formula 1 (@F1) March 29, 2026
The Safety Car restart at Suzuka didn't go as well for Russell as it did for Kimi Antonelli!#F1 #JapaneseGP pic.twitter.com/Ec6876iZG3
Russell, que já sabia desde a classificação que teria um domingo difícil, já que escolheu um caminho que provou ser equivocado para o acerto do carro, ficou preso na briga com as Ferrari, viu Hamilton ficando para trás, teve uma longa disputa com Leclerc, mas acabou em quarto lugar, decepcionado em um fim de semana em que muita coisa deu errado para ele, mas também em que viu seu companheiro ser muito veloz o tempo todo.
Leclerc ficou com a terceira colocação no pódio, e Norris conseguiu superar Hamilton, que saiu reclamando de falta de potência em sua Ferrari.
A disputa pelos últimos pontos
Mais atrás, Max Verstappen vinha tendo uma briga particular com Pierre Gasly desde a volta 5, quando chegou à oitava colocação depois de ter largado em 11º. Mas não conseguiu fazer qualquer ultrapassagem durar mais de alguns metros. A velocidade de reta de Gasly era muito superior, e Verstappen mantinha a briga acesa sendo mais veloz nas retas.
Primeiro entre os pilotos dessa parte do pelotão que não tinham parado quando o Safety Car foi acionado, Liam Lawson foi o nono, com Esteban Ocon completando o top 10 mesmo não tendo feito a parada “gratuita”, muito em função de um início de prova muito forte, que o levou de 12º a nono, conseguindo ficar à frente do trenzinho que Lawson acabou formando atrás dele.
Gabriel Bortoleto estava neste trenzinho, com todo mundo com modo ultrapassagem disponível. O brasileiro acabou neste bolo depois de perder quatro posições na largada – seu companheiro, Nico Hulkenberg, largou ainda pior e foi parar em 19º.
Os dois tinham dificuldades com o uso da energia elétrica do motor Audi, mas Hulkenberg estava conseguindo contornar isso de maneira melhor, chegando a passar Bortoleto duas vezes, depois que ambos lucraram com a parada sob regime de Safety Car e passar a correr no mesmo bolo. No final, Hulkenberg foi 11º e Bortoleto, 13º, resultado decepcionante para uma equipe que ficou dentro do top 10 por todo o fim de semana.


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