F1 Lucro para Antonelli no primeiro GP mano a mano com Russell - Julianne Cerasoli Skip to content

Lucro para Antonelli no primeiro GP mano a mano com Russell

A primeira sprint do GP do Canadá já tinha dado o tom do que seria a corrida: uma disputa intensa entre George Russell, que precisava muito interromper a sequência de vitórias de Kimi Antonelli, que por sua vez não teve a mesma mentalidade do companheiro na etapa anterior: mesmo sabendo que Russell se adaptaria bem à pista de Montreal, tratou de não aceitar o segundo lugar.

A aposta por intermediários

Como em Miami, havia a ameaça de chuva, que desta vez cairia tímida, em forma de uma fina garoa, enquanto os carros alinhavam no grid.

Não parecia ter sido o suficiente para molhar a pista, mas as equipes já estavam muito preocupadas com o nível de aderência por conta das baixas temperaturas – menos de 17ºC no asfalto, 12ºC de temperatura ambiente.

Essa combinação fez com que sete pilotos – crucialmente, as duas McLaren, mas também as Audi, Cadillac e Carlos Sainz – optassem pelo pneu intermediário.

Eles sabiam que logo teriam que trocá-lo, mas a aposta era que, quem tentasse largar com pneu slick naquela pista fria a úmida, teria tanta dificuldade de ficar na pista que valeria a pena.

Mas a largada demorou 6min30 a mais, depois que Arvid Lindblad teve problemas na sua Racing Bulls e os pilotos acabaram fazendo três voltas de apresentação, em que os pilotos da McLaren – que largavam em terceiro e quarto – insistiam com o pitwall que a estratégia estava errada.

Quando as luzes vermelhas se apagaram, Norris de fato pulou na ponta, mas teve que parar ainda na segunda volta, como todos os outros que optaram pelos intermediários. A pista estava seca e a chuva não voltaria.

Russell x Antonelli

Foi quando começou mais um round de Russell x Antonelli. A Mercedes trouxe seu primeiro pacote de mudanças, que funcionaram, enquanto a McLaren não conseguiu estrear sua asa dianteira – os pilotos não estavam muito confiantes com ela no treino livre. A pista de Montreal foi um território Mercedes no passado recente, mas o carro deste ano tem características diferentes – é muito bom de curvas de alta velocidade, que não existem por lá e não precisa que a pista esteja fria para funcionar bem. Ou seja, a vantagem de 0s150 da Mercedes em cima da McLaren em Montreal foi um sinal positivo para eles, que esperam ter certeza de que a correlação com o túnel de vento está mais afiada do que esteve nas últimas temporadas quando chegar o próximo circuito ‘de verdade’, na Espanha.

Antonelli atendeu ao pedido de Toto Wolff após a sprint de esperar que ambos abrissem uma vantagem para atacar o companheiro (até porque essa briga fez com que Lando Norris se aproveitasse para ficar entre os dois na sprint) e foi para cima na volta 7, quando Lewis Hamilton já estava sem o modo ultrapassagem.

Russell ficava sempre dando o lado de fora para Antonelli, que conseguia ficar grudado no companheiro volta após volta, usando o poder extra do moto ultrapassagem em uma pista 

Com os dois usando o boost, o que faz o tempo de volta aumentar, eles foram abrindo mais lentamente de Max Verstappen, que tinha passado Hamilton na volta 8. Mas também ajudou o fato dos multicampeões  também estarem em uma disputa particular.

Foi o primeiro GP em que se falou mais de pneus do que de energia, embora a disputa pela vitória tenha tido ingredientes do novo regulamento muito presentes, mas de maneira bem menos óbvia do que em provas anteriores. A falta de bateria de ambos no final da reta mais longa quase que convidava Antonelli a arriscar uma manobra nas curvas 1 e 2, um ponto menos óbvio de ultrapassagem.

E Russell volta e meia errava a freada do hairpin, surpreendido pela mudança do comportamento do brake-by-wire, que focava mais na recuperação da energia quando o vento apertava por ali.

Essas travadas também não estavam ajudando os pneus de Russell, embora fosse Antonelli, seguindo outro carro de perto por tanto tempo, que estivesse começando a ter graining nos dianteiros. Isso só aumentava a urgência do italiano de passar antes que os dois tivessem que parar. Afinal, o piloto que estivesse na frente fatalmente teria a melhor estratégia.

Foi quando Antonelli se viu na liderança, errou a freada do hairpin, foi passado de volta, e atacou por fora na freada da chicane. Russell não aliviou e o italiano teve que cortar a chicane, ouvindo da equipe que tinha que dar a posição de volta. Mesmo estando à frente na tangente.

Esse poderia ter sido “o” momento da corrida não fosse uma falha na bateria do carro de Russell. A segunda do ano – depois da China – embora tenham sido por motivos diferentes.

E lá se foi o apoio de cabeça, atirado para longe pelo britânico, desolado por zerar uma prova em que liderava, depois de fazer a pole e vencer a sprint largando em primeiro.

Quebra de Russell ‘estabiliza’ a corrida

O VSC gerado pelo abandono de Russell abriu a janela perfeita na volta 30 para quem ainda não tinha trocado os pneus. Pior para Charles Leclerc, que tem que esperar a parada de Hamilton e perde a posição para Isack Hadjar.

O ferrarista recuperaria na pista o quinto lugar, após uma manobra agressiva do francês, que é punido. Mais atrás, Lando Norris passa Pierre Gasly antes de abandonar com uma quebra de câmbio, enquanto Piastri não consegue sair das posições intermediárias.

Sem as McLaren e Russell, o top 10 ganha “vagas”, e quem aproveita é Franco Colapinto, em seu melhor resultado, um sexto lugar com a Alpine. O argentino foi mais veloz que Gasly nas duas últimas corridas, enquanto o francês conviveu com problemas no uso da bateria na classificação.

Gasly chegou em oitavo, atrás de Liam Lawson, com Carlos Sainz e Ollie Bearman fechando o top 10.

Bortoleto não se recuperou do erro estratégico do início da prova, mas Sainz mostrou o que era possível fazer com um motor e câmbio mais consistente, e uma estratégia melhor: o espanhol estava entre Hulkenberg e o brasileiro após a parada para trocar o intermediário pelo pneu de pista seca. 

Passou o alemão na volta 6, Lance Stroll duas voltas depois, Esteban Ocon na volta 12. Como muitos destes pilotos que estavam fora dos pontos – incluindo a dupla da Audi, trocando o pneu macio pelo médio – pararam cedo, Sainz se viu em 11º quando o VSC de Russell foi acionado. E só então fez sua segunda parada.

Na parada, ele superou Bearman e terminou em nono.

Mais um Verstappen x Hamilton para a conta

Mas ainda haveria tempo para outra grande batalha: Lewis Hamilton estava a 8s de Max Verstappen após as paradas de ambos no VSC causado por Russell.

Foi tirando a diferença até colar na Red Bull com 14 voltas para o final. E o passou no começo da volta 62, se defendendo agressivamente nas cinco voltas finais para conquistar um segundo lugar e seu segundo pódio com a Ferrari.

Enquanto isso, Antonelli caminhava tranquilo para fazer história novamente: nunca um piloto na F1 tinha vencido pela primeira vez e logo engatado quatro conquistas seguidas.

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