F1 Quanto dura um motor de Fórmula 1 - Julianne Cerasoli Skip to content

Quanto dura um motor de Fórmula 1

O regulamento de 2026 da Fórmula 1 permite que cada piloto utilize quatro unidades de potência ao longo da temporada. Se ele precisar mais do que isso, é punido com a perda de posições no grid de largada. Isso estabelece uma meta clara para a quilometragem: se a temporada tem 24 corridas, o motor de Fórmula 1 tem que aguentar fazer seis.

Considerando 80 voltas para os treinos livres, 18 para a classificação e 66 para a corrida, como ocorre em um circuito bem padrão como Barcelona, estamos falando de cerca de 750km por GP. Ao final de seis finais de semana, são 4500km.

É claro que é preciso ter uma folga, e não é incomum que um piloto tenha que fazer mais de seis GPs com o mesmo motor (e vou explicar melhor como isso funciona depois), no caso de outra unidade de potência da alocação dele quebrar. Então existe uma folga. Dá para dizer que um motor de F1 dura cerca de 5000km. Mas esse é só o começo da conversa.

E mais: a partir de 2027, esses números vão ter que subir porque o limite de unidades de potência vai diminuir para três por ano. E o calendário não vai diminuir. Então estamos falando de 6000km pelo menos para cada motor a combustão, turbo e MGU-K.

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Pode parecer um número pequeno, mas houve um tempo em que as equipes tinham motores só para a classificação. O regulamento não impunha limites e gastava-se muito focando apenas em ter o máximo de potência possível. Isso acabou em 2003, com uma regra que proibia qualquer diferença entre as peças de motores de classificação e corrida.

E não precisa voltar tanto no tempo para encontrar motores com uma durabilidade bem menor do que a atual. O motor V8 aspirado, muito mais simples do que o atual, mal passava dos 3000km. Não havia tecnologia para fazer algo mais durável? Esse não é o motivo. O regulamento permitia o uso de oito motores por ano e os engenheiros sempre vão trabalhar no limite.

Como o motor é usado ao longo da temporada?

A unidade de potência da F1 é composta por seis itens – lembrando que o MGU-H deixou de existir. E cada piloto pode usar, sem punição, três ou duas unidades de cada um desses itens. A sequência de uso é livre, como também acontece com o câmbio (cuja regulamentação é parecida).

O limite em 2026 permanece de quatro unidades para o motor a combustão, turbo, MGU-K. E de duas para a central eletrônica e bateria. A partir de 2027, são três unidades para o motor a combustão, turbo, MGU-K.

Então as equipes começam a revezar as duas primeiras unidades de potência no primeiro quarto da temporada, sempre buscando utilizar a UP que estiver mais nova nas pistas que exigem mais da potência do motor.

Pilotos não são liberados para despejar toda a potência de cara

Isso porque, a partir do primeiro uso, já começa a haver um desgaste, que resulta em perda da potência máxima. Que o diga Lewis Hamilton, que voltou à liderança do campeonato de 2021 no finalzinho depois de uma ousada decisão da Mercedes de trocar seu motor no Brasil justamente por entender que as unidades que ele tinha à disposição estavam muito defasadas em termos de potência por conta da alta quilometragem.

Aliás, usar a potência máxima do motor vai afetar sua vida útil. Tanto, que os finais de semana de sprint são considerados mais “estressantes” para as UPs. O piloto, portanto, não estará liberado para usar os modos mais agressivos de motor o tempo todo, especialmente nos treinos livres. Não é uma questão de “esconder o jogo”, é simplesmente lógico.

É por isso que ouvimos os pilotos pedirem mais potência quanto estão tentando uma ultrapassagem. Os engenheiros têm que calcular o quanto aquela ultrapassagem vale em comparação com o estresse causado. 

É possível que um motor que começou a temporada seja usado até quando a terceira ou quarta unidade já estrearam. Isso porque ele vai ser “rebaixado” para motor de treino livre, e possivelmente será usado até muito perto do fim de sua vida útil.

É por isso que vemos um piloto começar a usar a segunda unidade de potência lá pela quarta prova, depois adicionar a terceira na décima, e mesmo assim terminar o ano sem punições. O uso de uma unidade de potência nova não quer dizer que as velhas estão inutilizáveis.

Quantos quilômetros um motor de F1 faz com um litro de combustível?

Essas informações são do motor usado até 2025: dá para chegar em uma média para se ter noção de quantos quilômetros por litro faz um motor de F1: algo em torno de 2.6km/l.

Lembrando que o tanque de combustível pode carregar no máximo 110kg, embora as equipes tentem não usar a capacidade máxima nas corridas. Isso vai ser mais, ou menos, difícil dependendo das características de cada circuito.

Em 2026, o alvo é largar com 70kg, dentro do novo regulamento, que prevê a migração para um combustível 100% renovável, que responderá apenas por metade da potência total do motor.

Red Bull Racing / Red Bull Content Pool

Quanto custa um motor de Fórmula 1?

Existe um teto orçamentário separado para os fabricantes de motores, prevendo 130 milhões de dólares como o máximo de gastos anual. Fornecedoras que estiverem entrando no esporte podem gastar acima disso: 10 milhões a mais no primeiro e segundo anos de desenvolvimento, e 5 milhões a mais no terceiro.

Lembrando que estes valores estão sujeitos a correção inflacionária.

E também existe uma regra que limita em 20 milhões de euros o que um fornecedor de unidades de potência pode cobrar de uma equipe cliente por motor.

Apesar de não ser uma peça só, dá para dizer que é a parte mais cara do carro de F1.

1 Comment

  1. Muito bom, como sempre!


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