20 anos do tri de Senna: o histórico GP do Brasil de 1991

E neste penúltimo dia do especial sobre o 3º título de Ayrton Senna na F1, feito em parceria com o Café com F1, é hora de lembrar do Grande Prêmio do Brasil. Não teria como deixar aquela corrida passar em branco, considerada uma das mais importantes e emocionantes na vida do piloto.

Uma das imagens míticas de Senna é a do pódio do GP do Brasil

A história começa pelos treinos classificatórios. Com a pista úmida, o brasileiro dominou o primeiro treino e a primeira qualificação. Sim, naquele tempo eram duas sessões, uma na sexta-Feira e outra no sábado e os tempos combinados entre elas definiam o grid de largada. Mas no sábado Interlagos amanheceu com um sol forte e as Williams cresceram. Nigel Mansell e Riccardo Patrese fizeram dois belos tempos e ficaram com a primeira fila.

No entanto, quem viveu a época Senna lembra que ele gostava sempre de ir para a pista no último segundo, para ser o último a completar uma volta, que geralmente era a mais rápida. E naquela tarde em São Paulo não foi diferente e lá foi o piloto da McLaren para sua volta salvadora. Usando cada milímetro da pista, Senna conseguiu o que parecia impossível e marcou a pole position.

 

Na corrida, o brasileiro manteve a ponta enquanto Mansell deixava para trás Patrese e ia para cima de Senna. Mas o piloto da McLaren resistiu com bravura às investidas do “Leão” e em determinado momento até conseguiu abrir uma pequena vantagem. Na volta 25, o inglês foi obrigado a fazer uma parada prematura nos pits por causa de um pneu furado. Mas depois que todos pararam, ele voltou para a segunda posição e muito mais rápido que Ayrton Senna.

Mansell foi então à caça do brasileiro, mas, na volta 59 acabou rodando na pista devido a um problema no câmbio e abandonou. Senna liderava a prova com uma imensa vantagem para Patrese, o segundo colocado, e a prova encaminhava para o fim. Não poderia ser melhor para o piloto, que parecia que enfim venceria a corrida do Brasil depois de bater na trave várias vezes. Mas a sorte virou e o McLaren do piloto começou a apresentar problemas.

Primeiro ele perdeu a terceira e  a quarta marchas, o que começou a exigir dele um esforço extra para controlar o carro e já havia o feito perder 3s para Patrese. Mas assim que conseguiu se virar com a situação, duas voltas depois, a quinta também falhou. Ficou só com a sexta velocidade e não olhou mais a placa que lhe mostrava a diferença para o segundo colocado, só acelerou.

Mesmo com muitas dores e achando que não seria possível vencer, Senna se superou e em nome do sonho de vencer em casa, deu um jeito de se virar e foi levando. E se como perder as marchas não fosse o bastante, começou a chover no circuito. Ficou dramática a vida do piloto, pois se já estava complicado reduzir a velocidade nas curvas, reduzir com a pista molhada era inimaginável. A chuva aumentou e a direção de prova decidiu encerrar a prova.

 

O esforço foi tão grande que o Senna teve que se resgatado pelo Safety Car, pilotado por Wilson Fittipaldi, para retornar aos boxes. Na chegada ao pit lane, o piloto vê o pai dentre as várias pessoas que o cercavam e gritou para que se aproximasse. Quando chegou perto do pai, Senna desabou no ombro dele e pediu um beijo. No pódio, faltou força para levantar o troféu, devido aos espasmos musculares que sentiu no fim da prova.

“Só voltei à realidade quando vi a bandeirada. (3s à frente de Patrese). Aí senti um imenso prazer em viver, em estar em Interlagos, na minha terra e vendo a minha gente feliz. Não foi a maior vitória da minha vida, mas foi a mais sacrificada.”

Há quem considere a façanha impossível e fique procurando algum sinal nos vídeos onboard. O fato de o piloto reduzir para pegar sua bandeira do Brasil com um fiscal seria a prova de que o carro não tinha tantos problemas, mas o sofrimento estampado no rosto de Senna naquele pódio vale mais que mil palavras.

Foi uma corrida de gigante, uma vitória de gênio, que o engrenou para a conquista do tricampeonato.

8 comentários sobre “20 anos do tri de Senna: o histórico GP do Brasil de 1991

  1. Realmente uma das melhores corridas do Senna.

    Apesar de todas as adversidades e deficiências de equipamento, o que valoriza ainda mais sua vitória.

    Pela câmera onboard, é possível perceber pelo balanço do capacete, que o carro era muito mais instável do que os modelos atuais, além de não ter facilidades como direção hidráulica, troca de marchas por botoeiras, controle de diferencial, controle de giro de motor e todos os recursos eletrônicos atuais. E se não me engano, ele estava com pneus slick. Tudo isso só valoriza ainda mais o feito.

    Outra habilidade evidente, é seu poder de comunicação. Pela entrevista pós corrida, ele conquista o torcedor ao explicar as dificuldades, além de botar uma tremenda pressão nos pilotos concorrentes que não o alcançaram na pista.

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  2. Senna foi um piloto genial, dentro e fora das pistas. Seu talento para pilotar um f1, é indiscutível, mas sua capacidade de auto-promoção, idem. Era um piloto a frente de seu tempo. É uma marca registrada tão forte, que após sua morte, a FIA proibiu as manifestações com bandeiras. Fica a dúvida: será mesmo por questão de segurança, ou o desejo de tentar apagar lembranças desse piloto que foi prejudicado por dirigentes da categoria, e quando perdeu sua vida, reclamava solitariamente por segurança. Bem que Bernie poderia expor isso em sua biografia.

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  3. Assitir novamente essa corrida é realmente de arrepiar!! impressionante!! que corrida de superação, Ayrton Senna era de outro mundo, não tem explicação o que ele fazia em situações tão adversas e com bólido inferior ao seus gabaritados adversarios, um gênio!!

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  4. Esta corrida é uma lenda para o automobilismo, parecia filme ,parecia que não ia
    terminar, tenho tudo gravado em vhs da época, a transmissão feita pela globo ,foi
    perfeita , nessa época Galvão se fez … Então voltando ao assunto nas últimas 3
    voltas não sei como ele conseguiu cravar tempo, para andar parecido ao Ricardo Patrese, SENNA Genio é pouco!!!
    Há outra coisa, a corrida acabou com todas as voltas completadas não teve encerramento por parte da direção de prova não!!!!

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  5. Neste ano a Williams tinham os motores renaut V 10 do Williams FW14 que tinham os mesmos 750 cavalos do motor honda V12 do Mc Laren deixando claro que a diferença estava no piloto . Eu tinha 12 anos quando eu assisti a esta corrida que foi de arrepiar ,pilotar apenas com a sexta marcha em interlagos emabixo de chuva é coisa que somente os genios da Formula 1 como Senna conseguiriam .

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