Será essa a era dos campeões mais jovens da história?

O post de ontem despertou uma curiosidade: será que estamos vivendo mesmo a era dos jovens na Fórmula 1? Como será que as idades dos campeões flutuaram no decorrer dos anos? As respostas que os dados sugerem são curiosas.

Podemos entender porque os recordes de precocidade vêm caindo nos últimos anos. Afinal, a profissionalização do esporte em geral tem feito com que os grandes atletas surjam cada vez mais cedo – e já bem preparados – em todas as modalidades. Vide Michael Phelps na natação, ou Rafael Nadal no tênis, para ficar apenas em dois exemplos.

Todos os campeões ainda vivos, menos Raikkonen, Piquet e Vettel
Década Média + novo + velho
1950 -1959 39,3 29, Hawthorn, 1958 46, Fangio, 1957
1960-1969 32,7 27, Jim Clark, 1963 40, Brabham, 1968
1970-1979 29,6 25, Fittipaldi, 1972 38, Andretti, 1978
1980-1989 32,1 28, Senna, 1988 35, Lauda, 1984
1990-1999 31,2 25, Schumacher, 1994 39, Mansell, 1992
2000-2010 28,8 23, Vettel, 2010 35, Schumacher, 2004

Na Fórmula 1, não é muito diferente. Nesta última década, o recorde de campeão mais jovem foi batido três vezes, enquanto o de bicampeão, uma. Entre os pilotos das três mais bem colocadas equipes do campeonato de construtores, Vettel pode se tornar o bicampeão mais jovem da história e Alonso pode ser o tri mais novo de 61 anos de F1. Se observarmos a idade dos que levaram o título de 2005 para cá, ou seja, na era pós Schumacher, temos apenas 25,3 de média, sendo que nenhum deles tinha chegado aos 30 anos quando conquistou o título.

Mas os números mostram uma época especial: nos anos 1970, jovens pilotos, como Emerson Fittipaldi (bicampeão aos 27!), Niki Lauda (bi aos 28), Jochen Rindt (28), James Hunt (29) e Jody Sheckter (também 29) dominaram as pistas – ao lado do nem tão mais experiente Jackie Stewart, o 3º tricampeão mais jovem da história, aos 34 anos (venceu os outros títulos aos 30 e 32).

Fora estes dois momentos na história, só tivemos 6 campeões abaixo dos 30 anos. Ou seja, quase 50% dos vintões que triunfaram na categoria se dividem entre os períodos de 2005 a 2010 e de 1972 a 1979.

John Watson, Jody Scheckter, Emerson Fittipaldi, Niki Lauda e James Hunt no funeral de Ronnie Petterson, em 1978

Isso talvez se deva à incrível taxa de mortalidade do final dos anos 1960. Apenas em 1968, foram quatro mortes consecutivas: Jim Clark em abril, Mike Spence em maio, Ludovico Scarfiotti em junho e Jo Schlesser em julho. Dois anos depois, foi a vez de Piers Courage, Bruce McLaren e Jochen Rindt. Pode-se dizer que os anos 1970 viram mais uma geração de sobreviventes que de jovens superdotados – e o trabalho justamente de Stewart para reverter esse quadro fez muita diferença nos anos seguintes.

Campeões mais jovens

Sebastian Vettel              23 anos e 4 meses          2010

Lewis Hamilton                23 anos e 10 meses        2008

Fernando Alonso            24                                          2005

Campeões (pela 1ª vez) mais velhos

Nino Farina                        43           1950

Nigel Mansell                    39           1992

Mario Andretti                 28           1978

Bicampeões mais jovens

Fernando Alonso            25           2006

Michael Schumacher     26           1995

Emerson Fittipaldi           27           1974

Bicampeões mais velhos

Juan Manuel Fangio       43           1954

Jack Brabham                   40           1966

Graham Hill                        39           1968

Tricampeões mais jovens

Ayrton Senna                   31 anos e 7 meses          1991

Michael Schumacher     31 anos e 9 meses          2000

Jackie Stewart                  34                                          1975

Tricampeões mais velhos

Juan Manuel Fangio       44           1955

Jack Brabham                   40           1966

Niki Lauda                          35           1984

5 comentários sobre “Será essa a era dos campeões mais jovens da história?

  1. Julianne,

    A média de idade mais baixa nos anos 70, parece estar mais relacionado às tragédias do que à precocidade.

    Neste período ocorreu uma grande evolução da velocidade dos carros obtida pelo aumento da potência dos motores, pela redução do peso dos carros através do uso de chassis de alumínio e início dos experimentos aerodinâmicos.

    Porém a segurança dos carros e dos autódromos não acompanharam esta evolução, vitimando os pilotos mais experientes e liberando assentos para pilotos mais jovens.

    Já nos anos 2000, acredito ter ocorrido 2 eventos importantes:

    1º) A popularização do esporte através das transmissões na TV desde os anos 80, fez com que as crianças/futuros pilotos iniciassem cada vez mais cedo nas categorias de base como o kart.

    2º) O aumento do valor dos contratos salariais dos campeões dos anos 90, associado ao aumento dos custos no desenvolvimento dos carros, levou as equipes a procurarem formar seus próprios pilotos com custos menores.

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  2. Sua pergunta é mt complexa. O passado da F1 tendo em vista o pouco preparo físico dos pilotos em geral, podia de alguma forma nivelar as pilotagens, que eram mais cruas, vide por exemplo a pouca eletrônica e os câmbios manuais. A categoria era mais instintiva, dando espaço para pilotos mais experientes. O alto desenvolvimento tecnológico/físico, respectivamente de pilotos e carros na atualidade, vai fechando o cerco aos velhinhos. Temos que ser realistas, um piloto mais jovem, está em seu auge físico/mental, vide a enormidade de neurônios, agentes e excedentes, além é claro da necessidade de lidar com mudanças constantes. Como vc bem disse ontem, a experiência perde grande valor, substituída pelos técnicos do pit. A segurança torna-se importante, pois a expectativa de longevidade aumenta. Uma coisa é fato, em uma categoria estupidamente profissional, onde até mesmo os mecânicos se preparam fisicamente, o ímpeto não pode faltar, e os mais jovens, pela natureza, levam vantagem. Outro fato mt importante tbm, relaciona-se à construção dos carros, onde as quebras por condução excessiva, pouco acontecem, novamente levando os pilotos mais jovens e agressivos a terem vantagem sobre os companheiros mais técnicos e menos velozes. Sonhar não custa nada, mas para chegarmos à uma conclusão satisfatória, teríamos que contar com a boa vontade da RBR, colocando Shumacher para disputar umas três corridas com Vettel, para saber se o alemão mantem a pegada, mas ficção e realidade não andam juntas na F1. Talvez o único parâmetro parecido, mas meio irreal pela época, foi em 94, quando da morte de Senna, Mansell assumiu o cockpit da Willians, e foi uma piada, apesar do inglês não ser um primor físico/técnico.

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  3. Alonso foi bicampeão em 2006.

    Acho que o Ayrton Senna entrou na F1 com 24 anos. Pra ver a discrepância atual com pilotos chegando na F1 com 18 ou 19 anos.

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